Migração para a banda Ku coloca 5G em risco, afirma SindiTelebrasil


Apenas 5% dos domicílios do Brasil que dependem de antenas parabólicas para receber o sinal de emissoras com TV aberta serão atingidos pelas interferência pela tecnologia de telefonia móvel de quinta geração, a 5G. Isso poderá ser minimizado com a instalação de filtros nos equipamentos, em vez da migração das parabólicas da banda C para a banda Ku, cujo impacto pode comprometer o leilão da nova tecnologia. É o que afirma o SindiTeleBrasil, sindicato das operadoras de telecomunicações, em nota sobre o assunto.

“Os eventuais impactos, quando ocorrerem, poderão ser mitigados com a utilização de filtros nos domicílios que sofrerem interferência”, afirma a entidade. “Essa solução de mitigação da TVRO na banda C já foi testada e se mostra perfeitamente viável e com o menor custo possível, a ser discutido entre todos os agentes envolvidos”, acrescenta.

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Há outras soluções que estão sendo debatidas, como a migração de todo o serviço para banda Ku, opção defendida pelas entidades das emissoras de televisão, a exemplo da Abert e da Abratel. Mas o sindicato destaca que essa solução “tem um impacto e uma complexidade muito mais elevados, e estas, sim, colocam em risco o processo de licitação e o desenvolvimento da tecnologia 5G no Brasil”.

De acordo com o SindiTelebrasil, todas as prestadoras de serviços de telecomunicações entendem ser perfeitamente solucionáveis os eventuais casos de interferência do uso do 5G na recepção de sinais de televisão transmitidos via satélite pela Banda C (TVRO). Cita que as interferências só ocorrerão nos grandes centros porque são as áreas onde a nova tecnologia vai usar a faixa de 3,5 Ghz, também usada pelas parabólicas.

“Nas regiões menos densamente povoadas, onde está concentrada a grande maioria dos domicílios com TV aberta por satélite, este impacto não deve existir, já que a implantação de novas tecnologias se inicia tradicionalmente pelas maiores cidades do país”, aponta a entidade.

Impacto financeiro

A solução, portanto, deve ser aquela de menor impacto financeiro e maior facilidade de operacionalização, não trazendo dificuldades para o processo e garantindo o uso eficiente dos recursos públicos, prossegue a nota. “O tratamento das possíveis interferências precisa ser endereçado no edital, inclusive para trazer segurança jurídica sobre a utilização efetiva da faixa a ser adquirida.”

A proposta das prestadoras de mitigação tem sido apresentada ao governo e novos testes, contemplando situações reais não detalhadas nos testes coordenados pela Anatel e realizados em condições de irradiação direta e concentrada de sinais da tecnologia 5G sobre equipamentos TVRO na Banda C, serão feitos no próximo mês e expostos às autoridades brasileiras para trazer maior tranquilidade sobre a solução apresentada.

Outra medida seria a substituição do amplificador de sinal das antenas parabólicas, que se apresenta com uma solução técnica e operacional mais simples. Os eventuais problemas que porventura ainda persistam após a adoção dessas medidas seriam tratados pontualmente.

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