Middleware brasileiro tem quatro propostas da indústria


Segundo o professor Guido Lemos, da Universidade da Paraíba, o Ginga, middleware brasileiro, já tem quatro propostas “formais e concretas” para ser industrializado – uma de multinacional e três de empresas locais. Apesar do Ginga ainda não ter sido oficializado como a escolha do governo, Lemos acredita que o próprio interesse da indústria e as …

Segundo o professor Guido Lemos, da Universidade da Paraíba, o Ginga, middleware brasileiro, já tem quatro propostas “formais e concretas” para ser industrializado – uma de multinacional e três de empresas locais. Apesar do Ginga ainda não ter sido oficializado como a escolha do governo, Lemos acredita que o próprio interesse da indústria e as declarações favoráveis de ministros como Hélio Costa, das Comunicações, e Dilma Rousseff, da Casa Civil, garantirão a tecnologia nacional. “É um processo consolidado, a própria indústria já percebeu que é irreversível”, observa ele, em entrevista ao Tele.Síntese.

Uma das dúvidas que persiste é sobre qual sistema operacional vai rodar o middleware brasileiro. O governo estuda a hipótese de ser sobre o Linux, um software livre. E é justamente sobre o Linux que o Ginga, em seu modelo de referência, foi desenvolvido. Mesmo assim, Lemos destaca que as fabricantes de TV costumam trabalhar com sistemas proprietários e que o Brasil seria único país no mundo a adotar o software livre. “De qualquer forma, com o Linux seria mais fácil, menos adaptações seriam necessárias”, comenta.

Preço
Outra preocupação é que o Ginga tenha um preço competitivo no mercado, para que não restem dúvidas de que é a escolha certa. Segundo Lemos, este valor seria de US$ 10 por terminal, o mesmo conseguido por uma empresa chinesa na implementação do MHP (middleware europeu). No que se refere à funcionalidade, não há o que o que discutir, pois o Ginga foi feito visando as necessidades sócio-econômicas brasileiras.

Por exemplo, o ensino à distância e a alfabetização digital, tópicos que não são levados em conta nos produtos japoneses, americanos e europeus, pois são lugares onde a população tem acesso a computadores, o que não acontece por aqui. No entanto, Lemos lembra que o produto brasileiro preenche os requisitos para ser exportado. A condição foi colocada por radiodifusores que já vendem para o exterior seus conteúdos. Para tanto, os comandos e vocabulários de interatividade do Ginga seguem padrões internacionais da UIT.

A partir do momento em que as especificações técnicas forem publicadas, qualquer empresa poderia produzir o middleware brasileiro. No entanto, frisa Lemos, a indústria está procurando os consórcios do SBTVD pois a transferência tecnológica seria sensivelmente mais rápida com o know how dos pesquisadores brasileiros. “Eles sabem disso”, diz. Para tanto, o professor da UFPB está colocando condições sine qua non a fim de aceitar as proposta. Uma delas é que a fábrica seja instalada no Brasil. “Queremos uma parte do desenvolvimento sendo feita na Paraíba”, acrescenta. Outra é o retorno do investimento feito pelo governo e institutos de pesquisa. Só no caso da UFPB, esse investimento foi de R$ 1,5 milhão.  Além das propostas formais, outras empresas sondaram Lemos e devem entrar na negociação.

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