Microsoft vai demitir mais 7,8 mil e deve acabar com fábrica de celular


Medida faz parte de reestruturação corporativa. Para analistas, como Scott Bicheno, do Telecom.Com o anúncio de hoje da empresa norte-americana significa colocar o fim na fabrica de aparelhos celulares, que comprou da finlandesa Nokia em setembro de 2013, por 5,4 bilhões de euros. Com este grande número de demissões, principalmente no segmento da telefonia celular, haverá contabilização de US$ 7,6 bilhões de perdas, por depreciação de ativos, informa a empresa em comunicado.

A Microsoft anunciou hoje, 8, que vai demitir mais 7,8 mil funcionários, a maioria na divisão de telefonia. Os cortes vão resultar em uma perda contábil de US$ 7,6 bilhões e custos com demissões que poderão alcançar US$ 850 milhões.  Ano passado, a companhia já havia dispensado 18 mil pessoas. Sua força de trabalho mundial supera os 118 mil funcionários.

Satya Nadella, CEO da Microsoft (Foto: divulgação)
Nadella, CEO da Microsoft, tenta reverter desempenho baixo nos dispositivos móveis (Foto: divulgação)

Satya Nadella, CEO da Microsoft há pouco mais de um ano, escreveu um email aos funcionários explicando os planos. A meta da reestruturação, diz, é reinventar a divisão de telefonia. “Estamos saindo de uma estratégia de crescimento apenas da divisão de celulares para uma estratégia de crescimento e criação de um ecossistema Windows que inclua os dispositivos”, diz. 

No curto prazo, a empresa deve reduzir o portfólio de aparelhos, com foco em três segmentos de consumidores. A equipe de desenvolvimento de celulares ficará focada em criar modelos com recursos de gerenciamento, segurança e produtividade; de baixo custo para comunicações básicas; e os top de linha para mostrar o poder do Windows nas plataformas móveis. Segundo ele, o foco da “reinvenção” da empresa será adicionar o conceito de mobilidade em todos os produtos que a empresa faz.

No último trimestre, o terceiro do seu ano fiscal, a companhia registrou alta na receita, mas queda nos lucros. No último mês, a empresa vendeu para o Uber parte de sua divisão de mapeamento e assinou acordo com a AOL para se responsabilizar pela gestão de publicidade na plataforma Bing. A AOL também passou a usar o Bing como mecanismo de busca.

Quando comprou a unidade de celulares da Nokia, a Microsoft pagou US$ 7,17 bilhões na esperança de acelerar a penetração do Windows entre os smartphones. O idealizador do negócio foi o ex-CEO, Steve Ballmer. Na época, Bill Gates e Nadella teriam se posicionado contra o negócio.

Os planos de crescimento com a aquisição não se realizaram. A versão do sistema operacional da companhia hoje ocupa um distante terceiro lugar nos dispositivos móveis no mundo, com participação de mercado na casa dos 3%, segundo levantamento recende da consultoria IDC. A empresa não comenta como as mudanças vão afetar a subsidiára no Brasil, mas reconhece que haverá impacto na operação local.

[Atualizado às 16h30]

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