Mercado vê com cautela acordo entre Oi e Altice


Analistas de mercado consideraram positiva a notícia de que Oi vai negociar, em regime de exclusividade, a venda da operadora Portugal Telecom à Altice. No entanto, destacam que a situação financeira da Oi continuará “exigindo atenção” dos investidores. Segundo relatório do Itaú BBA, a alavancagem da companhia continuará alta. “Após a venda, a relação dívida líquida/EBITDA cairia de 4,3x para 3,1x”, analisa o banco. Isso porque a venda resultará também em perda da receita vinda do mercado europeu.

Uma fonte, que prefere não se identificar, faz avaliação semelhante. Mas ressalta que a venda dos ativos da Portugal Telecom para a Altice deve “deixar mais visível a fragilidade” da operação da Oi e que, embora “dê oxigênio” para a companhia, sua dívida permanecerá alta. Atualmente, o endividamento líquido da Oi é de R$ 48 bilhões, com a venda, ficaria em R$ 24 bilhões. Além disso, a empresa continuará com maior parte do negócio em telefonia fixa, que apresenta desaceleração, e enfrentando aumento da concorrência na banda larga fixa.

Outro motivo de preocupação é a velocidade com que o negócio pode ser concluído. As empresas terão 90 dias para definir os termos. Ao final do prazo, a venda pode ou não sair. Ainda que saia, os analistas não esperam uma conclusão antes de junho de 2015 devido à análise de concentração de mercado em Portugal por órgão reguladores locais. A Altice passaria a ter 57% de market share em telefonia fixa, 56% em banda larga, e 49% em TV paga no país, também segundo o Itaú BBA. O banco sugere preço alvo de R$ 1,70 para os papeis preferenciais.

Outro analista que também pede para ficar anônimo diz que o negócio pode finalmente destravar a consolidação das companhias de telecomunicações no Brasil, facilitando uma fusão entre TIM e Oi. Mas também, devido às questões regulatórias em Portugal, qualquer operação nesse sentido não deve sair antes do segundo semestre de 2015. 

Anterior Telebras deve ser multada pela CVM
Próximos TIM vai dar cheque de R$ 1,7 bi esta semana pela faixa de 700 MHz