Mercado já fala na necessidade de regulamentação diferenciada para células de 2 a 5 Watts


O presidente da TIM, Rodrigo Abreu, declarou na semana passada que as small cells serão fundamentais na arquitetura de rede da operadora a partir de agora e que, a partir de janeiro, começa a instalação dos dispositivos em maior volume. A decisão ganha força com a regulamentação de femtocells (potência de até 1 Watt) pela Anatel, que desobriga o licenciamento desses dispositivos e os desonera do pagamento de contribuição para o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel). Mas, para avançar na cobertura consistente da rede de dados, o executivo acredita que será preciso avançar para uma regulamentação diferenciada, daquela existente para macrocélulas, também para as pequenas com potência de 2 a 5 Watts.

Ao comentar a regulamentação da Anatel para femtocells nesta quarta-feira (30), em conversa com jornalistas após apresentaçao de resultados do terceiro trimestre, Abreu afirmou: “Isso é um primeiro passo. Acreditamos em algo semelhante no patamar de 2 a 5 Watts para possibilitar um aumento da cobertura consistente com a qualidade de inovação tecnológica para o país”, declarou o executivo, complementando que a operadora continuará debatendo e dando sua contribuição para o avanço do ponto de vista regulatório.

Também para Sandro Tavares, diretor de marketing de Mobile Core da Nokia Solutions Networks (NSN), a regulamentação da small cells com límite de 1 Watt é de grande ajuda para complementar a cobertura da rede de dados, “mas não é o ideal”. Para ele, também seria necessário discutir a desoneração das metrocélulas. 

Tavares salienta, no entanto, que o processo de impementação de metrocélulas em áreas de grande concentração para complementar a rede macro não tem apenas o desafio regulatório pela frente. “Não podemos colocar tudo na conta do regulador”. Para ele, ainda é necessário muito esforço das operadoras para consolidação da rede macro, antes de partir para redes heterogêneas.

A onda de implementação de femtocells é uma boa notícias para os fornecedores. Diversos deles já falam em pilotos em andamento com as teles, como é o caso da Alcatel-Lucent, Ericsson e Comba Telecom, sendo que a última já avalia a produção nacional dos equipamentos em sistema de OEM por conta dos volumes previstos para o ano que vem.

A Ericsson lançou para o Brasil, na semana passada, o Radio Dot System, que pesa 300 gramas, utiliza a energia da rede ethernet e tem potência de 250 miliwatts. O produto deve chegar ao mercado nacional no ano que vem. A empresa ainda conta com a solução pico RBS, com potência de 1 Watt. Caso a regulamentação da Anatel defina femtocell apenas pela potência, a empresa poderia participar dessa onda de adoção.

“Esperamos o rol out já no começo do ano. Esperamos um 2014 quente no Brasil em termos de small cells”, afirmou Clayton Cruz, diretor de banda larga móvel da Ericsson para América Latina e Caribe. A Ericsson vem realizando testes com operadoras para uso de small cells, mas ainda mantém as parcerias em sigilo.

A Alcatel-Lucent também está otimista com o deployment desses equipamentos no Brasil para cobertura indoor, e afirma ter provado para as operadoras que suas soluções podem complementar redes macro de outros fornecedores. Além da cobertura em ambientes fechados, a empresa francesa estuda, com operadoras, a implementação de small cells para cobertura rural, conforme explicou Javier Falcon, presdiente da companhia no Brasil. “A small cell em baixa frequência é uma opção para a cobertura rural porque o custo é mais baixo”. Segundo o executivo, os testes para redes rurais estão sendo feito com backhaul de radio e via satélite.

Mobiliário urbano e compartilhamento
Uma das opções avaliadas pelas é a instalação das pequenas células no mobiliário urbano. A Telefônica Vivo, que no ano passado apresentou uma antena integrada a postes de luz, estaria estudando agora a possibilidade de instalar as antenas nos telefones públicos (TUPs). Os pontos de ônibus novos de São Paulo também estão no foco das empresas.

“Há muita coisa sendo pensada, mas ainda há alguns desafios como o do compartilhamento. Se uma empresa instala uma antena em um orelhão e as outras também podem querer e é preciso avançar no debate de compartilhamento para tornar isso viável”, defende Johnny Brito, diretor geral da Comba Telecom no Brasil. A empresa chinesa também declarou que vem realizando testes com operadoras para fornecimento de small cells e espera um 2014 forte neste segmento.  

O cliente hot spot
O investimento das operadoras em soluções que reforçam o acesso à rede de dados em pontos de específicos também inclui a ampliaçao de hotspots. A Oi, segundo uma fonte, tem optado por uma alternativa já usada no mercado internacional: oferecer benefícios aos usuários que permitirem que uma parte da banda de seu hotspot seja compartilhado com os assinantes do serviço móvel.
 

Anterior Datacom fornece modem ADSL para a Telefônica
Próximos CPqD promove workshop internacional sobre redes móveis 4G e 5G