Mercado já fala em adiamento da fusão entre Oi e PT


Um dia antes do vencimento da primeira, e maior parcela, dos papéis da Rioforte comprados pela Portugal Telecom, o mercado já considera a possibilidade de adiamento da fusão entre a PT e a Oi, diante de um default da Rioforte.

A primeira parcela do investimento de 897 milhões de euros feito pela Portugal Telecom em papéis da Rioforte, com remuneração média anual de 3,6%, vence amanhã e o mercado já considera um possível adiamento do processo de fusão entre a PT e a Oi, diante de um eventual descumprimento da Rioforte. Em nota, a agência de rating Moody’s considera que a fusão pode sofrer atrasos se “houver default da Rioforte”.

A primeira parcela dos papéis da Rioforte que vence amanhã soma 847 milhões de euros. A segunda parcela também vence esta semana, dia 17. A Rioforte faz parte do Grupo Espírito Santo, dono do Banco Espírito Santo (BES), que é o maior acionista da Portugal Telecom. A compra dos papéis da Rioforte, que enfrenta problemas financeiros, não foi aprovada pelo Conselho de Administração da Oi e levou à renúncia dos dois representantes da Oi no Conselho da PT, em protesto. Na semana passada, o mercado falava em eventual redução na participação da PT na nova Oi, dos 39,6% previstos para 20%, ao final do processo de fusão, previsto para outubro deste ano.

A agência Moody’s lembra, no entanto, que o papel comercial da Rioforte em mãos da PT é cerca de 20% da liquidez da Oi e que a PT tem linhas de crédito de longo prazo já asseguradas de 800 milhões de euros e acesso à liquidez da Oi que lhe permitem cobrir maturidades de cerca de 1,3 bilhão de euros nos próximos 18 meses.

De acordo com a mídia de Portugal, o conselho de administração da PT não descarta o descumprimento do pagamento dos títulos pela Rioforte.

Bolsa brasileira

Na semana passada, as ações da Oi na Bovespa – e também as da PT em Lisboa – sofreram forte oscilação. Na quinta-feira, os papéis da Oi tiveram queda de quase 15%, mas recuperaram um pouco das perdas na sexta. A Bovespa chegou a questionar a Oi, por meio de um ofício enviado na sexta-feira (11), sobre oscilação registrada com as ações ordinárias e preferenciais de sua emissão. Em resposta, a Oi informou que atribui a divulgação, em Portugal e no Brasil, de informações sobre o investimento da PT em títulos da Rioforte, assim como as informações e notícias divulgadas ao mercado e pela mídia sobre a situação financeira das empresas do grupo Espírito Santo.

Os jornais portugueses também destacam o comunicado enviado à CMVM (que regula o mercado de ações em Portugual) pelo Banco Espírito Santo (BES) informando a mudança no comando do banco. Os executivos Vítor Augusto Brinquete Bento, José Alfredo de Almeida Honório e João de Almada Moreira Rato assumiram as funções de presidente da comissão executiva, vice-presidente da comissão executiva, e administrador financeiro do BES, em substituição a Ricardo Espírito Santo Salgado, José Manuel Pinheiro Espírito Santo e José Maria Espírito Santo Ricciardi, que renunciaram ao mandato.

Aqui no Brasil, as ações da Oi devem permanecer, no curto prazo, no patamar de R$ 1,63. Ao menos, essa a análise feita pelo Citi para os papéis da companhia, já precificando o impacto negativo que a compra de títulos da Rioforte pela PT possam gerar ao caixa na companhia portuguesa – pior cenário possível, segundo o banco de investimentos. O Citi espera que a dívida da Oi fique em R$ 43 bilhões no terceiro trimestre, caso a consolidação da fusão aconteça no prazo. Nesta tarde, as ações da Oi  voltaram a registrar queda de 0,58% (ordinárias) e 0,62% as preferencias (às 15h37).

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