Mercado de usados ainda é pouco explorado no setor de telecom


Compra e venda de produtos usados é o tipo de business que existe no mundo antes do advento do capitalismo. Mesmo assim, no setor de telecomunicações, o chamado mercado secundário ainda é considerado latente no país (não confundir com o mercado de ações). Com a recente aquisição de seu maior competidor (a Sommera), a Telmar …

Compra e venda de produtos usados é o tipo de business que existe no mundo antes do advento do capitalismo. Mesmo assim, no setor de telecomunicações, o chamado mercado secundário ainda é considerado latente no país (não confundir com o mercado de ações). Com a recente aquisição de seu maior competidor (a Sommera), a Telmar Network Technology US não vê ninguém à sua frente no mercado brasileiro. “Estamos sozinhos, não temos competidor”, observa Rodrigo Ribeiro de Abreu, executivo de vendas da subsidiária local, a Tel-NT Brasil.

A empresa comercializa “usados, recondicionados e novos excendentes” em uma via de duas mãos. “No Brasil, metade dos nossos negócios é exportação e a outra é importação”, explica Abreu, que tem passagens em empresas como Lucent e Huawei. A TelNT Brasil atua nas tecnologias TDMA, GSM e CDMA (com equipamentos como BTS, BSC e MSC), além de centrais das mais variadas, como Nortel DMS, Lucent 5ESS, Ericsson AXE e Siemens WSD, entre outras.

“Atingimos o ponto de saturação de muitas tecnologias. As redes estão evoluindo rapidamente”, comenta o executivo ao Tele.Síntese. Mas o que se torna obsoleto por aqui pode ser útil em mercados emergentes e de alta competição. Redes TDMA ainda têm seu valor no Caribe e na África, além de alguns países europeus. O contrário também vale. Por exemplo, no Brasil, segundo Abreu, há demanda por BTS Ericsson e excedente de BTS Nokia (que são exportadas).

Reparação

Além disso, metade dos equipamentos é usada como subsídio para reparação de redes, outro business importante para a companhia norte-americana (cerca de 50% do negócio), que tem faturamento de cerca de US$ 300 milhões no mundo e quase 600 funcionários. Os números no Brasil não são divulgados, mas a empresa tem, como clientes, empresas como Vivo, Telemar, Embratel, GVT, Intelig, Huawei, Lucent, Telemig Celuar, CTBC Telecom e Claro.

A companhia tem 40 anos de existência e sede em Irvine, Califórnia, além de escritórios e laboratórios em  países como Inglaterra, Holanda, Malásia e México. No Brasil, marca presença há dois anos, com sede em Campinas, onde conta com 10 funcionários e uma warehouse (depósito) de 10 mil metros quadrados. Para Abreu, as operadoras têm grande necessidade de dar vazão a equipamentos obsoletos (de grande valia para outros mercados). “São custos com armazenamento, manutenção, contabilidade, segurança, etc”, descreve.  “E muitas não sabem como vender esses materiais.”, acrescenta.

Para alavancar seus negócios, TelNT faz parcerias com fornecedores de equipamentos (como Lucent, Ericsson, Huawei). “As operadoras, na hora de comprar, querem uma contrapartida dos fornecedores. Estes, por sua vez, nos indicam como compradores das redes legadas”, destaca. O que não é repassado para outros mercados, é acumulado na warehouse, como sucata – subsídio para os reparos.  Além de  equipamento de core network, a empresa atua na revenda de bancos de canais, roteadores, multiplexadores, equipamentos ópticos e sistemas de energia.

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