Mercado de cabos e fibras tem 2009 difícil mas investe para aumentar a produção


O ano de 2009 não foi dos melhores para o setor de fibras ópticas e cabos metálicos, que viu as encomendas se reduzirem já no final de 2008, com a crise econômica global, e um mercado interno fraco no primeiro semestre. A Oi praticamente não fez compras em razão da consolidação com a Brasil Telecom …

O ano de 2009 não foi dos melhores para o setor de fibras ópticas e cabos metálicos, que viu as encomendas se reduzirem já no final de 2008, com a crise econômica global, e um mercado interno fraco no primeiro semestre. A Oi praticamente não fez compras em razão da consolidação com a Brasil Telecom e a Telefônica reviu suas encomendas e renegociou preço com os fornecedores. "2009 foi um ano difícil, com redução dos volumes e das receitas em relação a 2008", atesta Sergio Ragusa, diretor-presidente da Telcon. A despeito da queda no volume de vendas e no faturamento, na comparação com os resultados de 2008, os empresas instaladas no país estão otimistas com os negócios em 2010 e já planejam investimentos para aumentar a capacidade de produção de fibras ópticas e evitar a falta do produto, que já começa a ficar escasso no mercado internacional.

"No Brasil ainda não está faltando fibra, mas o problema pode ocorrer", diz Foad Shaikhzadeh, presidente da Furukawa. Por isso, antecipa, a SPF, joint venture formada pela Furukawa e pela Prysmian, já planeja investimentos para a expansão da capacidade da fábrica de fibras instalada em Sorocaba, no interior de São Paulo. "Para 2010, a produção de fibra, que é de cerca de 1,4 milhão de quilômetros, é suficiente para atender a demanda interna, estimada em 1,1 milhão de quilômetros de fibra. O problema pode ocorrer a partir de 2011/2012", avalia Shaikhzadeh.

Ragusa também antecipa que as empresas do grupo realizarão investimentos em 2010. Juntas, Telcon (produz todos os tipos de cabos) e Draktel (fibras ópticas) vão investir cerca de US$ 6 milhões para aumentar a capacidade de produção. "Temos condições de suprir, em volume e em qualidade, o mercado interno, mas continuaremos investindo para atender a demanda que tende a crescer a partir de 2011", explica Ragusa.

No mercado mundial, a escassez por fibra óptica é ocasionada pela pressão vinda principalmente da China. A Prysmian, que tem fábrica no país, confirma a alta demanda, mas assegura que, no Brasil, sua unidade instalada em Sorocaba tem capacidade para atender os clientes internos.

Mercado interno e exportações

A previsão é que mercado de fibras e cabos feche 2009 com queda de uns 20% em relação ao faturamento de 2008, que foi de R$ 1,3 bilhão. O resultado não foi pior graças às exportações. A Prysmian, por exemplo, aumentou em 25% o volume de vendas para os países da América do Sul. "Em exportação foi um ano bom porque esses países estão montando seus backbones e isso compensou em parte a queda no volume de cabos ópticos", conta Marcelo Andrade, diretor de telecom da Prysmian.  Draktel e Furukawa também aumentaram o volume exportado.

Outro fator positivo, aponta Andrade, foi a mudança de estratégia das operadoras móveis. Ao invés de só alugar redes de suas parceiras na telefonia fixa, elas começaram a investir em redes próprias. Com isso, a queda no setor de fibra não foi tão acentuada quanto no setor de cobre, que depende mais das operadoras fixas.

De onde vem a demanda

Para que o mercado volte a crescer em 2010, o setor conta com a concretização do Plano Nacional de Banda Larga, a ampliação da capacidade da banda na telefonia móvel, demanda por tráfego de vídeo (serviços de triple play), tanto na rede fixa quanto na móvel, e aumento na demanda do setor corporativo, que começa a aderir ao serviço de cloud computing — por este conceito, a empresa não tem todo o sistema "dentro de casa", mas dentro da rede, ou seja, usa a capacidade de processamento dentro da nuvem da Internet e em diferentes locais. E para que o sistema funcione bem é fundamental ter uma rede confiável e banda suficiente. "Esses fatores vão fazer com que a demanda por fibra cresça", avalia o presidente da Furukawa.

"Nossa expectativa é que, com os anúncios de incentivo e expansão da banda larga, os negócios serão promissores em 2010/ 2011", completa Ragusa, da Telcon, enquanto a Prysmian estima para 2010 crescimento de 5% em cabos de cobre e de pelo menos 10% no segmento de fibras e cabos ópticos.

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