Mercado comemora o pequeno ágio pago pelas licenças de 4G


Tele.Síntese Análise 344 O leilão da 4G realizado esta semana pela Anatel agradou não apenas ao governo, à agência e às operadoras, cujos principais executivos dizem ter levado o que foi planejado, mas também aos bancos, que respiraram aliviados com os baixos ágios. Com menos recursos para o Tesouro, os analistas avaliam que haverá mais …

Tele.Síntese Análise 344

O leilão da 4G realizado esta semana pela Anatel agradou não apenas ao governo, à agência e às operadoras, cujos principais executivos dizem ter levado o que foi planejado, mas também aos bancos, que respiraram aliviados com os baixos ágios. Com menos recursos para o Tesouro, os analistas avaliam que haverá mais recursos no caixa das empresas para ampliação de investimentos e distribuição de dividendos.

O banco Goldman Sachs chegou a projetar um deságio de mais de R$ 1 bilhão frente aos gastos que havia dimensionado inicialmente. Imaginava que TIM, Claro e Vivo fossem gastar, cada, pelo menos R$ 1,050 bi por suas licenças nacionais, e a Oi, outros R$ 525 milhões, o que somaria um valor de venda de R$ 3,67 bilhões, bem acima dos R$ 2,6 bilhões arrecadados no primeiro dia do leilão, com as licenças nacionais e algumas regionais. Mesmo considerando os gastos da Claro, da Oi e da TIM do segundo dia (a Vivo não comprou mais nada), o total de desembolso das quatro empresas e dos dois grupos de TV, de R$2,93 bilhões, ficou muito aquém do projetado pelo banco.

As estimativas de outros bancos, como o J.P. Morgan, eram menos pretensiosas, pois previam preços máximos para as licenças a serem compradas por Vivo, Claro e Oi, de R$ 700 milhões cada, e de R$ 300 milhões para a TIM. Embora para o JP Morgan os ágios de algumas empresas tenham ficado acima de suas estimativas, o leilão não trouxe “surpresas significativas”.

Vale lembrar que, no leilão da 3G, o ágio médio foi de 63%, enquanto neste leilão caiu pela metade. A Claro, primeira a levar a sua frequência, com ágio de 34% frente ao preço mínimo, vinha com muita gana e dinheiro em caixa. No dia do leilão, o dono da operadora, Carlos Slim, falou à imprensa europeia mandando seu recado: “A expansão da tecnologia 4G no Brasil é uma prioridade”.

Ele ressaltou que a penetração do celular na América Latina já chega a 110%, mas a banda larga precisa ser impulsionada: “Estamos muito ativos em telecomunicações no Brasil, que precisa de 4G, de mais infraestrutura, de mais velocidade”. Lembrou que hoje apenas 12% dos celulares no mundo são inteligentes, enquanto nos Estados Unidos essa taxa é de 50%.

Assim, não é sem razão que a Vivo não só não reclamou do ágio pago por sua frequência preferida, a X, como comemorou a sorte que teve no leilão, que fez com que sua principal adversária, a Claro comprasse a faixa W, a menos atrativa entre as duas de maior largura de banda. “A Banda X era a preferida da Vivo, em função do nosso perfil de atuação e estratégia de negócios”, diz Paulo Cesar Teixeira, diretor geral da operadora. A compra da banda X não foi resultado só de uma boa estratégia. A sorte ajudou.

Ela aconteceu quando a Vivo foi sorteada para dar o primeiro lance para a banda W (a Claro ficou em terceiro, depois da Oi). A Vivo abriu mão de ofertar além do preço mínimo, o que obrigou a Claro a elevar o lance para arrematar aquele lote, uma vez que ela não podia abrir mão da faixa mais larga. Assim, a Vivo tirou da frente sua maior competidora para disputar a banda X.

Com as demais empresas, ela não tinha dúvidas de seu maior fôlego financeiro, tanto que a Oi, que chegou a oferecer um ágio de 57% pela banda X, abandonou a disputa depois que a Vivo ofereceu um prêmio de 67%. Teixeira espera terminar a escolha do fornecedor de tecnologia em no máximo 60 dias. Por enquanto, todos os principais fornecedores estão na disputa.

Oi e TIM, por sua vez, também afirmam que suas compras estão totalmente integradas em suas estratégias, embora admitam que terão de cumprir uma nova etapa, de negociar com os operadores de MMDS a compra das frequências de 2,5 GHz em poder dessas empresas. Isso porque as duas operadoras compraram diferentes lotes complementares e precisarão adquirir agora as bandas não colocadas à venda no leilão para chegar às capitais dessas áreas complementares. “Compramos mais frequências em seis das dez regiões de maior tráfego”, assinala o presidente da TIM, Mário Girasoli.

Já o vice-presidente de planejamento estratégico da Oi, João de Deus Macedo, assinala que a empresa atuou com a premissa do retorno sobre o investimento. Por isso, ofereceu o que achou justo pelas licenças de 40 MHz. Acabou levando a de 20 MHz,onde queria, com menos obrigações rurais e comprou outros 10 MHz em todas as localidades onde o retorno econômico era positivo, argumenta.

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