Mato Grosso elege a conectividade no campo como prioridade


46 cidades do estado, maior rebanho de gado do país, não têm nem cobertura de rede 3G. Operadoras apresentam soluções para levar conexão às fazendas que precisam capturar dados de equipamentos e outros ativos, defensivos agrícolas, plantas e animais e transferi-los para um data center.

3G-tecnologia-mapaA Agrihub, uma articulação para levar tecnologia ao campo no estado de Mato Grosso com o–– objetivo de elevar a produtividade da agropecuária no estado, em um grande evento realizado em abril, definiu três áreas prioritárias de trabalho: enfrentar os desafios da conectividade, criar ferramentas para os produtores terem maior conhecimento sobre o clima e microclima e combater as pragas.

Daniel Latorrca, diretor do IMEA

“Quando falamos de conectividade no estado, não estamos nem falando da dificuldade de conectividade no campo. 46 cidades não têm nem rede 3G”, disse Daniel Latorraca, superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária – IMEA, que apresentou as iniciativas de empreendedorismo no estado no Agrotic Gado de Corte, promovido pela Momento Editorial e que se realizou ontem, 25, em Cuiabá.

A Agrihub é uma iniciativa de inovação em agricultura e pecuária da Federação da Agricultura do Mato Grosso – Famato, do IMEA e do Senar-MT, que identifica os problemas dos produtores rurais e os conectam a startups, mentores, empresas de tecnologia, pesquisadores e investidores para desenvolver soluções e promover o melhor ajuste de tecnologias ao campo. Entre suas iniciativas estão a Rede de Fazendas Alfa,  a Conexão Agrihub, o Programa de Negócios, o Ecossistema de Inovação e o Desenvolvimento da Agricultura. Ela mantém um edital permanente para start ups dentro da Conexão Agrihub: as empresas candidatas devem possuir soluções para os problemas encontrados nas propriedades rurais do estado que foram levantados juntamente com o grupo de produtores da Rede de Fazendas Alfa no primeiro semestre de 2018.

Conectividade

Para vencer o desafio da conectividade no campo, a WND Brasil, que usa a tecnologia Sigfox, montou uma rede no estado em frequência liberada na faixa 900 MHz, que já cobre nove municípios e 1,5 milhão de pessoas, dedicada à Internet das Coisas (IoT). A InternetSat, que a partir de 25 de junho vai distribuir os sinais do satélite Yah 3 em banda Ka, da Yashat, vai cobrir parte do estado. E a TIM lançou recentemente um produto para o campo, a Agricultura Inteligente, para atender tanto as populações rurais quanto as fazendas. Trata-se de uma solução customizada para clientes nas regiões onde já tem disponível a rede LTE na faixa de 700 MHz.

Essas três alternativas tecnológicas foram apresentadas durante o painel sobre conectividade. Lançada recentemente no estado, a rede da WND Brasil, que já cobre todas as capitais do país, conta com vários parceiros que são responsáveis tanto pela oferta de aplicativos como pela comercialização dos dispositivos para as “coisas” – no caso do campo, equipamentos e defensivos agrícolas, animais, plantas, medidores, sensores, drones, sistemas de controle de incêndio, etc. No portfólio da WND, já estão disponíveis para o campo os seguintes aplicativos: gestão de silos, da Agrusdata; o colar de gado, da Digitanimal; dados meteorológicos, da Agrosmart; e rastreamento de defensivos agrícolas, da Loka e da Suntech (duas soluções diferentes). Outros aplicativos estão em desenvolvimento.

Eduardo Iha, diretor de Negócios da WND Brasil

Eduardo Iha, diretor de negócios da WND Brasi,l explicou que a grande vantagem da tecnologia LPWA (Low Power Wide Area) para interconectar “coisas” no campo, que demandam envio de baixo volume de dados, é que é uma tecnologia que cobre grandes distâncias, gasta muito pouca bateria e é de baixo custo. “Estamos falando de um custo de conexão de US$ 1,30 por ano”, informou, insistindo que a WND faz apenas a conexão, cabendo aos parceiros a agregação de valor.

Por enquanto, a TIM está desenvolvendo um teste de conceito na Usina Jales Machado, em Goianésia (GO), produtora e processadora de cana de açúcar, onde instalou uma estação radiobase em 700 MHz LTE para fazer a cobertura e conectar equipamentos e pessoas. Para chegar a esse piloto, segundo Fabiana Camargo, diretora de Relações Institucionais da Região Centro Oeste da operadora, a empresa começou a trabalhar em 2016 com três centros de pesquisa – Inatel, CPqD e Embrapa – e duas entidades de fomento à inovação.

Fabiana Arruda , diretora de Relações Institucionais da Região Centro Norte a TIM Brasil

Fabiana diz que a operadora está aberta a parceria com outros produtores interessados em desenvolver projetos semelhantes e que a empresa vem discutindo com a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) a criação de uma linha de fomento para que as propriedades possam adotar as tecnologias de conectividade. “Não vamos ter um produto de prateleira. As soluções vão ser desenhadas segundo a demanda”, disse.

Via satélite

Fornecedora de conectividade e integradora de soluções, a InternetSat, que desde 2014 oferece conexões via satélite – no passado, comercializava links de rádio —, vai ampliar sua cobertura do território nacional a partir de junho, quando entra em operação comercial o satélite Yah 3. Hoje, já atende parte do país  (SP, MG, RJ, GO e ES) em banda Ka, comprando capacidade do satélite Amazonas 3, e em banda Ku, fornecida também pela Hispamar. Diante das possibilidades de ofertas de serviço a regiões remotas, principalmente no segmento da Internet das Coisas (IoT) para diferentes mercados, como agronegócio, energia, varejo, óleo e gás, entre outros, a InternetSat lançou recentemente um serviço de acesso customizado para IoT.

George Bem, CEO da InternetSat

“A oferta leva em conta a capacidade operacional de cada dispositivo conectado e os objetivos de cada projeto de IoT. Não estamos falando nem em Megabyte. Estamos falando em kilobyte”, comentou George Bem, CEO da InternetSat. Ou seja, o preço cobrado segue a quantidade de dados a serem transmitidos. A empresa já desenvolveu três projetos customizados para o campo: um para uma fazenda de cana de açúcar, outro para uma fazenda de soja e um terceiro para uma de gado, para transmitir dados de vacinação coletados por meio de um aplicativo.  No caso da fazenda de cana de açúcar, o projeto foi instalar um sistema de comunicação (a antena, montada em uma camionete, é alimentada por energia solar e o terminal do usuário é do tamanho de um tablet) para se comunicar em tempo real com a central de caminhões para fazer a coleta da cana e evitar viagens inúteis. De acordo com Bem, em três meses houve uma economia de R$ 1 milhão.

Em outros segmentos de mercado, a empresa vem desenvolvendo vários projetos de telemetria. Como os do agronegócio, todos são projetos customizados, pois as demandas em IoT variam muito. A única solução de prateleira comercializada pela InterneSat, além dos serviços comuns de conexão de dados e voz, é uma solução completa de comunicam para transmissão ao vivo, para canais de TV, produtoras, eventos e que também vem sendo utilizada por leiloeiros. O preço, diz o CEO da InternetSat, é bastante acessível. Inferior a de um link de fibra óptica dedicado nos grandes centros urbanos, com especificações semelhantes.

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