Massificar a internet está nos planos de poucos presidenciáveis


Embora todos os programas dos presidenciáveis apontem a tecnologia, inovação e comunicação como essenciais para o crescimento do país em todas as áreas, poucos apresentam propostas para massificar o acesso à internet, fundamental para o desenvolvimento da economia digital. O líder das pesquisas em intenção de voto, Jair Bolsonaro (PSL), pelo contrário, defende a redução de investimentos públicos em ciência e tecnologia, alegando que o modelo atual está “totalmente esgotado”.

Em segundo lugar nas pesquisas, Fernando Haddad (PT), diz, em seu programa, que o acesso à internet em alta velocidade está hoje condicionado à renda dos cidadãos, o que amplia o fosso, entre pobres e ricos, de acesso a direitos e serviços. E propõe a criação do programa Brasil 100% Online, que pressupõe conectar mais de dois mil municípios à rede fibra ótica; garantir que o satélite geoestacionário brasileiro seja usado para conexão de municípios de pequeno porte, áreas rurais e distritos isolados.

O programa do PT prevê também fazer com que todos os distritos brasileiros [mesmo aqueles afastados da sede dos municípios] recebam sinal de celular e exigir das empresas que forneçam conexão de alta velocidade a 3.600 municípios que hoje só contam com 3G. “A inclusão digital deve se sobrepor ao lucro privado de grandes empresas”, defende o candidato.

O programa do candidato Ciro Gomes (PDT) é lacônico quando se trata de investimentos em telecomunicações. Diz apenas que esse setor será parte de um um pacote de investimentos. A proposta de governo do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) cita apenas que vai estimular parcerias entre universidades e empresas para o desenvolvimento de pesquisas e inovações.

Já Guilherme Boulos, candidato pelo PSol, defende ações para conectar todos os cidadãos, por meio do fortalecimento da Telebras, “que se transformará em fornecedora de serviços de telecomunicações e, também, de provimento de conexão, em oposição à atual concentração privada no setor”. Além disso, defende a intervenção na Oi e o combate ao PLC 79/2016, que altera as concessões da telefonia fixa.

O candidato pelo MDB, Henrique Meirelles, por sua vez, fala na criação de um Gabinete Digital ligado diretamente ao presidente da República. Esse órgão, segundo o programa, será responsável por criar novas soluções para os cidadãos, além de pensar todas as ações digitais já existentes, integrando todos os sistemas do governo, centralizando as informações dos cidadãos e tornando-as acessíveis onde estes estiverem.

A candidata Marina Silva, da Rede, afirma que a inclusão digital será um compromisso fundamental do seu governo, caso seja eleita. “Nesse sentido, promoveremos iniciativas para universalizar o acesso público à banda larga, tornando a conexão à internet em serviço essencial no país, como eletricidade e água”, afirma em seu programa de governo.

O candidato do partido Novo, João Amoedo, cita apenas em seu programa que adotará política pública mais inteligente com o uso de dados e tecnologia. Enquanto João Goulart Filho (PPL), afirma que vai reativar a Telebras para universalizar a banda larga. Os demais candidatos (Alvaro Dias, do Podemos, Vera, do PSTU, Cabo Daciolo, do Pariota, e Eymael, do DC) não citam ações para massificar a internet nos seus programas.

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1 Comment

  1. Tiago
    4 de outubro de 2018

    Pior são os políticos que fazem promessas nesse assunto, porque não entendem nada do que falam e não podem fazer o que prometem.

    Investimento público em Internet? Quem tem expandido a Internet pelo Brasil não usa dinheiro público. A iniciativa privada, por meio dos provedores, é que podem mudar a realidade do país. E o Estado não precisa gastar dinheiro para ajudar, basta sair do caminho, parar de extorquir em impostos as empresas e a população, para que sobrem recursos para investir e para contratar, e parar de financiar grandes empresas que concorrem deslealmente, favorecidas com recursos públicos, e não ajudam em nada ao país.

    É impressionante ver claros eleitores de esquerda defenderem que o governo dê dinheiro a empresas estrangeiras e de grandes grupos financeiros, porque são sempre elas as únicas beneficiárias dos planos mirabolantes de universalização da Internet. Puro lobby, que governo nenhum vai mudar, visto que nem as nações mais desenvolvidas conseguiram, pois essa é a natureza do Estado.

    “Quando as pessoas querem o impossível, somente os mentirosos podem satisfazê-las.” – Thomas Sowell