Maioria dos brasileiros é resistente ao uso comercial de suas informações pessoais


 

Cada vez mais empresas, sistemas, soluções e aplicativos requerem dos seus usuários mais e mais informações. E esta é uma questão muito discutida no Brasil e no mundo porque há risco de o mal uso das informações violar o direito à privacidade dos cidadãos. Os Estados Unidos multaram, pela primeira vez e de forma exemplar, um aplicativo por mal uso de informações de usuários. No Brasil, o Ministério da Justiça prepara uma lei para proteção dos dados pessoais dos cidadãos em tempos de computação em nuvem – o país não atualmente não conta com nada semelhante.

Neste contexto de intenso debate, pesquisa realizada pela Ericsson, Informações Econômicas Pessoais – realizada pelo ConsumerLab – estudou o comportamento e opinião do usuário quando diz respeito ao uso e proteção dos dados pessoais. O resultado é que mais de 60% dos entrevistados brasileiros disseram se sentirem mal se as empresas usassem suas informações pessoais para fins comerciais, enquanto 50% dos brasileiros mudariam seu comportamento se soubessem que as empresas usaram suas informações pessoais para fins comerciais.

A Ericsson informou que, de acordo com os dados colhidos no Brasil, pode-se deduzir que as pessoas geralmente não ficam confortáveis com o compartilhamento de suas informações online por não terem qualquer controle sobre isso. Os dados mais sensíveis seriam registros médicos, salário e arquivos armazenados.

Ainda no Brasil, cerca de 50% das pessoas mudariam seu comportamento se soubessem que empresas usaram suas informações pessoais para fins comerciais e quase 60% dos consumidores brasileiros disseram que permitiriam às empresas o uso de suas informações pessoais, desde que fossem com o objetivo de melhorar os serviços atuais, desenvolver novos serviços ou personalizar uma oferta para eles.

No levantamento global, mais de 50% dos consumidores disseram estar cientes de que suas informações pessoais são coletadas com propósito comercial, mas o que exatamente é utilizado, como e as razões para isso ainda não estão claras para a maioria. Pouco mais de 40% dos consumidores permitiriam às empresas usar suas informações pessoais quando uma proposta personalizada é feita a eles, com o objetivo de melhorar os serviços atuais e desenvolver novos.

De acordo com a leitura da Ericsson sobre os dados, “a preocupação dos consumidores a respeito da sensibilidade das informações diminui se eles podem ver um claro e desejado benefício em compartilhar suas informações pessoais. O relatório demonstrou que envolver os consumidores pedindo sua permissão aumenta a confiança e o desejo de compartilhar informações pessoais”.

A Federal Trade Comission dos Estados Unidos divulgou um documento com algumas sugestões de como empresas de conteúdo digital móvel devem tratar os dados de usuários, suas responsabilidades e direitos.

O levantamento

A pesquisa quantitativa foi baseada na plataforma analítica do ConsumerLab, que possui 23 mil entrevistas online feitas com pessoas de 15 a 69 anos, da Austrália, Brasil, China, Alemanha, Hong Kong, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Rússia, Coreia do Sul, Suécia, Reino Unido, Ucrânia e Estados Unidos, em maio de 2012. Já a pesquisa qualitativa foi realizada nos Estados Unidos e na Europa, envolvendo entrevistas detalhadas com consumidores e especialistas.

O ConsumerLab da Ericsson obtém seu conhecimento por meio de um programa global de pesquisa de consumo baseado em entrevistas com 100 mil pessoas todos os anos, em mais de 40 países e 15 megacidades – representando estatisticamente a visão de 1.1 bilhão de pessoas. Ambos os métodos, qualitativo e quantitativo, são usados e centenas de horas são gastas com consumidores de diferentes culturas. (da redação, com assessoria de imprensa)

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