M2M é o maior ofensor da qualidade nas 2G


Tele.Síntese Análise 399 Na avaliação das operadoras celulares, os índices de qualidade da rede já estariam dentro das metas fixadas pela Anatel no caso do acesso à rede de dados, se a agência não computasse as redes 2G. “Pela primeira vez, em sua terceira medição sobre a qualidade do serviço móvel, a Anatel separou as …

Tele.Síntese Análise 399

Na avaliação das operadoras celulares, os índices de qualidade da rede já estariam dentro das metas fixadas pela Anatel no caso do acesso à rede de dados, se a agência não computasse as redes 2G. “Pela primeira vez, em sua terceira medição sobre a qualidade do serviço móvel, a Anatel separou as redes 2G e 3G e é possível verificar que os problemas de falha no acesso estão muito concentrados na rede 2G, que é uma rede que não está tecnologicamente adequada ao acesso de dados”, diz Leonardo Capdeville, diretor de planejamento e tecnologia de redes da Telefônica Vivo.

Tanto em sua avaliação como na de Christian Wickert, diretor de assuntos regulatórios da Claro, o grande ofensor na redução das taxas de sucesso no acesso à rede de dados na rede 2G são as aplicações M2M (máquina à máquina), principalmente os terminais de cartões de crédito e débito. “Isso porque, quando o terminal é ativado para fazer a operação, o protocolo dispara um grande número de tentativas de acesso à rede”, explica Capdeville. Frente a esse cenário, do ponto de vista metodológico, ele defende que a Anatel não deveria computar as redes 2G. Porém, já se sente parcialmente atendido porque no último relatório da agência, divulgado dia 26 de julho, foram separados os desempenhos nas redes 2G e 3G, nos dados consolidados; embora não haja essa separação nos dados por município.

Também para a Claro, a operadora melhor pontuada no quesito acesso à rede de dados, o problema só será superado quando a base de terminais 2G deixar de ser representativa no parque de terminais. Esse quesito é o único onde, na média, as celulares não atingiram os 98% da meta fixada pela agência, que terá de ser atendida até agosto de 2014, obrigatoriamente, ao final da cautelar que levou à suspensão da comercialização do serviço móvel no ano passado. Hoje os terminais 2G representam mais de 70% da planta de celulares do país. No caso da Claro, segundo Wikert, são 50%. “Investimos massivamente na rede, em especial em colocar fibra na transmissão dos sites – cerca de 60% já operam com essa tecnologia – e, nos que usam rádio, duplicamos a capacidade”, conta ele.

 

“Além dos investimentos na rede, temos uma equipe focada na qualidade do serviço, avaliando todos os aspectos envolvidos”, diz, comemorando a nota obtida de 98,94% no acesso à rede de dados.

A Vivo, que ficou com 95,71% nesse quesito, foi penalizada pelo desempenho da rede 2G. Nos três meses (de fevereiro a abril), obteve mais de 99% no acesso a dados para a rede 3G, mas enfrentou dificuldades na rede 2G: 91,25% em fevereiro; 91,31% em março; e 95,71% em abril.

Capdeville diz que não faz sentido investir na rede 2G, pois é uma tecnologia em fim de ciclo, e que a Telefônica Vivo vem concentrando recursos e esforços na expansão da rede 3G. Trata-se da operadora com maior número de município cobertos nessa tecnologia: 3.331. O diretor informa que, dos terminais Vivo que acessam a rede de dados, 80% o fazem pela rede 3G e 20% são da rede 2G.

Para os executivos da Telefônica Vivo e da Claro, o governo precisa criar estímulos para acelerar a cobertura 3G. Com eles concordam executivos da Anatel, para os quais só a antecipação das metas de cobertura com a rede 3G vai eliminar os problemas no acesso a dados pela rede 2G. O objetivo, informam, é criar condicionamentos para a antecipação da cobertura 3G no leilão das frequências de 700 MHz, que deve ser realizado em 2014.

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