Lucent: laboratório previne clonagem “em tempo real”


Nem só de benefícios para operadoras e usuários vive o mundo convergente. “Nunca houve preocupação de segurança com a rede que chega à casa dos clientes, mas apenas com a rede interna das empresas. Agora, com os novos serviços, como VoIP e IPTV, é preciso protegê-la também”, explica Paulo Perez, gerente em Consultoria em Segurança …

Nem só de benefícios para operadoras e usuários vive o mundo convergente. “Nunca houve preocupação de segurança com a rede que chega à casa dos clientes, mas apenas com a rede interna das empresas. Agora, com os novos serviços, como VoIP e IPTV, é preciso protegê-la também”, explica Paulo Perez, gerente em Consultoria em Segurança da Lucent Technologies, que falou a jornalistas durante a inauguração de um novo laboratório da companhia, hoje, 18, em Campinas.
Perez aludiu a ondas de ataques terroristas de worms, DOS, DDOS e outras pragas virtuais nas redes IP. Segundo dados da empresa, 25% de todo tráfego que passa pelos backbones das grandes operadoras é proveniente de ataques do tipo. Um spam de VoIP, por exemplo, pode fazer 4 mil ligações ao mesmo tempo. O Laboratório de Segurança da Lucent em Campinas é um dos três no mundo da empresa especializado em soluções para prevenir esse tipo de problema.
“O time do Brasil foi escolhido para desenvolver essa solução globalmente”, destaca Perez. A lógica da escolha, segundo o executivo, é que o país é campeão em produzir hackers e, portanto, o que funciona aqui, funciona em qualquer lugar do mundo. Além de profissionais da Lucent, alunos de mestrado e doutorado da Unicamp participam do projeto. A empresa não revelou o valor investido no laboratório. Nos últimos 5 anos, a Lucent investiu US$ 250 milhões no Brasil.
Fraudes

Outro foco do laboratório é a prevenção de fraudes na telefonia móvel, a popular clonagem, seja no GSM ou CDMA. De acordo com Perez, as operadoras ainda atuam de forma “espartana” nessa questão. Ou seja, utilizam a análise de perfil para detectar se há algo errado, como ligações sucessivas de um cliente que usa pouco o celular, ou ligações repetidas para o exterior. Enfim, qualquer comportamento não usual. Mesmo assim, as empresas podem demorar dias para tomar uma providência, como interceptação ou bloqueio da linha.
A solução apresentada pela Lucent promete ação em tempo real. Ou seja, em dois segundos, por meio de uma análise de perfil avançada e data mining, a empresa já pode agir (interceptar ou bloquear). A solução é composta por framework que recebe todos os eventos e informações registradas nos elementos de rede e sistemas da operadora.
Tubo
O presidente da Lucent no Brasil, Wagner Ferreira, frisa que o centro de Campinas não serve apenas a soluções de segurança. Outro aspecto, explica, é possibilitar à operadora o controle do uso de sua rede de banda larga. “Atualmente, ela (a operadora) olha o tubo e não sabe o que está passando”, compara.
Segundo Ferreira, medir e controlar o tráfego serão pilares para oferecer serviços em redes IP. De acordo com o executivo, hoje em dia 80% da banda larga é consumida pelo uso peer-to-peer, ou seja, troca de arquivos (música, vídeos) por usuários. Para ele, se a operadora souber quem são esses heavy users, poderá oferecer serviços diferenciados, cobrar por isso e otimizar sua rede.

Fusão
Wagner Ferreira também falou sobre a fusão da Lucent com a Alcatel. “Até tudo ser oficializado e aprovado continuamos atuando como concorrentes”, explica. Mas admitiu que já há movimentação, no Brasil, dos setores das duas empresas no sentido de antecipar como será a operação no futuro. No entanto, Ferreira prevê alguns obstáculos até que a fusão se concretize, como a aprovação de órgãos de controle da concorrência em várias partes do mundo, inclusive o Cade no Brasil.    

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