Lobby americano: ATSC e FITec mostram aplicativos para TV digital


Depois de ser praticamente descartado por pesquisadores do CPqD e pelo ministro das Comunicações Hélio Costa, o ATSC, padrão americano para TV digital, intensificou seu lobby para voltar a figurar entre as opções do governo brasileiro. Tão logo o CPqD anunciou sua avaliação sobre a pesquisa nacional, concluindo que o padrão dos EUA não é …

Depois de ser praticamente descartado por pesquisadores do CPqD e pelo ministro das Comunicações Hélio Costa, o ATSC, padrão americano para TV digital, intensificou seu lobby para voltar a figurar entre as opções do governo brasileiro. Tão logo o CPqD anunciou sua avaliação sobre a pesquisa nacional, concluindo que o padrão dos EUA não é interessante para o Brasil, Robert Graves, presidente do ATSC Forum, tomou um avião para o país, com paradas estratégicas em Brasília e São Paulo, hoje, 27.

Para dar maior respaldo ao lobby, o périplo do ATSC contou com a presença de representantes da FITec (centro brasileiro de pesquisas), que participaram, em conjunto com a Unicamp, do desenvolvimento de aplicativos para TV Digital. Estes foram demonstrados hoje na capital paulista, num stand da LG (fábrica coreana que apóia o ATSC) em telas planas de alta definição.

O primeiro aplicativo, para entretenimento, mostrou uma partida de futebol (um teipe de Brasil e México pela Copa das Confederações). O menu permite que o telespectador selecione várias informações, como perfil dos atletas, estatísticas do jogo, etc. Algumas delas são gravadas previamente, outras vão sendo atualizadas durante a partida. É mais ou menos o que se vê hoje nas transmissões, com a diferença que, com a TV digital, quem decide a hora de ver as informações é o espectador e não o programador de caracteres da emissora. Pode significar menos oferta de emprego para comentaristas, por exemplo.

Retorno

Opções como essa não exigem canal de retorno. Já outras, também demonstradas, precisam desse artifício. Quer votar no melhor jogador da partida, participar de uma promoção? Basta usar o controle remoto. Vale observar que esse tipo de mecanismo eliminaria, ao menos tecnicamente, um dos grandes negócios nas transmissões esportivas hoje, que é usar o celular (mensagens SMS) para fazer esse tipo atividade.

Além do entretenimento, foram demonstradas ferramentas educacionais e informativas, com possibilidade de cursos on line e obtenção de informação variada. Como o que se tem na internet atualmente, mas com outra interface. Vale lembrar que o usuário não precisará comprar um aparelho de televisão digital para ter acesso a isso, mas apenas um setop box (caixa conversora de sinais).

Os aplicativos foram feitos sobre a plataforma Acap (desenvolvida pelo ATSC). “Mas são adaptáveis para outros padrões”, destaca Renato Mintz, pesquisador do FITec.

Mercado
Antes de tais demonstrações, Robert Graves, como fizera em Brasília no dia 23, enumerou questões que justificariam a escolha do ATSC. “Teremos um mercado comum no hemisfério de 830 milhões de pessoas, baixos preços de setop box (US$ 50 a partir de 2008) e, como os EUA não produzem tevês, podemos importar de vocês”, explica. Para Graves trata-se de coisa do passado o conceito de que o padrão americano não oferece mobilidade e portabilidade.

“Como um país como os Estados Unidos iria deixar isso de fora?” Segundo ele, a Zenith (fabricante de televisores comprada recentemente pela LG e uma das colaboradoras do ATSC) estará demonstrando no Brasil, no meio desse ano, a capacidade móvel do padrão.

Bem, até lá pode ser que o governo brasileiro ainda não feito sua decisão, que hoje pende mais para o japonês (tão propalado “favorito da Globo”), com o padrão europeu em segundo lugar. A escolha está prevista para o mês que vem, mas, como o próprio Hélio Costa admitiu, deve ser adiada. Na saída do evento, Graves discutia com seu séquito a possibilidade de marcar um almoço com representantes da Rede Globo. 

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