Liq quer evitar antecipação de pagamento a credores


A Liq (antinga Contax e Ability) convocou mais uma vez seus debenturistas para uma assembleia geral. O encontro acontece em 17 de junho, em São Paulo, e tem como pauta um assunto indigesto: o acionamento dos gatilhos que obrigam a companhia a antecipar pagamentos em caso de atrasos na quitação dos juros dos títulos da 2ª emissão.

No caso, a Liq deveria ter pago em 15 de março uma parcela da remuneração de suas debêntures. Pelas cláusulas dos contratos, este calote permite aos credores cobrar o vencimento antecipado das debêntures após deliberação em assembleia. Cerca de 85% das dívidas do grupo estão em títulos emitidos ao mercado.

Em nota, a empresa explica que desde o ano passado trabalha para reestruturar sua dívida. “A companhia vem, conforme já comunicado ao mercado, desde novembro de 2018, com o objetivo de otimizar sua estrutura de capital e o perfil de sua dívida, negociando com seus credores financeiros a fim de refletir os novos termos e condições de seu endividamento. A quase totalidade dos credores financeiros da companhia aprovou, no início do ano, a postergação do pagamento dos juros para 15 de junho, enquanto os detalhes da negociação dos novos termos e condições são finalizados. A companhia segue comprometida com a negociação junto a seus credores, com o objetivo firme de alcançar o consenso sobre os novos termos e condições da sua dívida”, diz.

Cenário incerto

A companhia, especializada em serviços de contact center, apresentou queda de 20% nas receitas e prejuízo líquido de R$ 223,4 milhões em 2018. Em 2017, o resultado já havia sido também negativo, com prejuízo acima de R$ 300 milhões. Além disso, terminou 2018 com apenas R$ 95,5 milhões de caixa, o que na época já era avisado pela empresa como insuficiente para manter as operações no longo prazo.

Os resultados negativos são fruto da redução de demanda por parte das operadoras de telecomunicações, que no passado eram as principais clientes da antiga Contax. A Oi, que passa por recuperação judicial, ainda é uma importante fonte de receita para a empresa. Ao mesmo tempo, a digitalização dos serviços de atendimento derrubou a demanda pelos call centers por parte do setor de telecomunicações e obrigou as empresas de BPO a se reinventar.

A Liq está nessa transformação, iniciada em meados da década, em busca de diversificação de clientes. No último ano, demitiu 21% dos funcionários, a maior parte, dos contact centers: mais de 10 mil, foram desligados, restando 31,1 mil. O número de posições de atendimento também despencou nos últimos anos. Passou de 34 mil em 2016 para 19,4 mil agora.

Antecipação pode parar a empresa

Diante deste cenário de reposicionamento e sem caixa, a companhia propõe que os debenturistas não votem pela antecipação do pagamento da dívida.

“A continuidade da dívida representada pelas Debêntures, conforme os prazos e termos presentes na Escritura, é vital para a preservação dos negócios da Companhia e imprescindível para evitar efeitos adversos relacionados à aceleração dessa e de outras obrigações financeiras da Companhia”, diz André Paradizi, diretor de finanças e relações com investidores da companhia e comunicado ao mercado.

Não será a primeira vez que a Liq vai tentar convencer os debenturistas a não antecipar o pagamento da dívida, que se prolonga até 2035. A empresa já realizou neste ano assembleias em janeiro e fevereiro nas quais aprovou a suspensão de covenants para os donos de títulos da 1ª, 2ª e 3ª emissões.

A baixa geração de caixa e a necessidade de repactuar a dívida levaram a Fitch a, no final de 2018, rebaixar mais uma vez a dívida da companhia, hoje com debêntures classificados como CCC (com alto risco de inadimplência e, portanto, de baixo interesse para os investidores).

**Atualizado à 18h com o posicionamento da Liq.

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