telefone-fixo-linha-fixa-concessao-foto-de-Aidan-cc-by-20Não se trata de nenhuma novidade o fato de que a base instalada de telefones fixos vem caindo entre as concessionárias, ano após ano, seguindo a tendência mundial de a voz se transformar em serviço auxiliar fadado à irrelevância. O que os dados de 2016 trazem de novo é que, pela primeira vez, a base de clientes de telefonia fixa no país se reduziu entre as autorizadas. E quem mais perdeu em números absolutos foi o grupo Telecom Américas, com menos 500 mil clientes.

Outras autorizadas também perderam clientes, mas em menor número até porque sua base é menor. A Telefônica, que incorporou a GVT, teria perdido 102 mil linhas, se os assinantes da GVT no estado de São Paulo (cerca de 500 mil) não tivessem sido transferidos para a concessão. Como isso ocorreu, os dados da Anatel indicam perda de 602 mil linhas. A base da TIM, que era de 600 mil linhas em dezembro de 2015, chegou em dezembro de 2016 com menos 10%. Naquela data, as autorizadas registravam 17,077 milhões de assinantes de telefonia fixa.

Se finalmente o recuo da telefonia fixa se impôs sobre os ganhos da política de combos das autorizadas vitoriosa até 2015, há um fenômeno ainda não muito claro no universo das concessionárias. Com base de 24,754 milhões de linhas fixas em dezembro de 2016 (universo ampliado em 500 mil linhas pela transferência dos assinantes paulistas da GVT), as concessionárias deram um breque no ritmo de telefones desligados.

A surpresa da Oi

A grande responsável por isso foi a Oi, que reduziu quase pela metade o número de linhas desligadas. Se em dezembro de 2015 em relação a dezembro de 2014 sua base encolheu de 16,279 milhões de assinantes de telefonia fixa para 14,943 milhões, ela fechou dezembro de 2016 com 14,173 milhões de assinantes de telefonia fixa. Ou seja, perdeu 770 mil linhas contra 1,336 milhão no ano anterior.

grafico-02-oi-e-telefonica-concessionarias

De acordo Bernardo Kos Winik, diretor de varejo da Oi, no mercado residencial o ritmo de desligamento de linhas fixas caiu de um milhão para 500 mil de 2015 para 2016 graças ao lançamento do Oi Total. “É o efeito dos pacotes convergentes. Estamos liderando a venda de TV paga dentro do bundle. O terceiro trimestre de 2016 já apontava para uma redução da desconexão, que se confirmou no quarto trimestre”, conta Winik. E informa que a operadora está chegando perto de um milhão de clientes do Oi Total.

Já a Telefônica manteve o ritmo de desligamento. Em relação ao total da base de assinantes, de 9,170 milhões (sem os 500 mil assinantes da GVT incorporados à concessão), o percentual de desligamentos em 2016 sobre 2015 foi de 4,8% contra 4,3% no período anterior. Na avaliação de Marcio Fabbris, vice-presidente de Marketing da Telefônica Vivo, a queda das linhas fixas é inexorável não só pela substituição da voz fixa pela voz móvel, mas por outros serviços como os de mensagem instantânea de texto.

Além disso, observa, muitas vezes a operadora não tem o que oferecer para agregar valor àquela linha de voz. “Se o assinante está longe da central, não há como oferecer banda larga e serviços associados. E isso acontece nas periferias e em todo o interior do estado”, conta ele. Assim, não há como “segurar” aquele cliente que não enxerga mais valor na voz fixa, que, no entanto, é sempre encarada como uma linha de segurança pelo cliente dentro do bundle.

Na Algar, estabilidade

Na contramão das duas grandes concessionárias de voz fixa, a Algar Telecom ampliou, em 2016, em 11 mil o número de seus assinantes de linha fixa, de 721,8 mil para 733,0 mil. E também ganhou mais 10 mil assinantes nas áreas onde atua como autorizada. A receita para o sucesso, segundo Marcio de Jesus, diretor de Negócio Varejo, é evitar o churn na concessão com a oferta de serviços associados como o de banda larga. “Nossa base está praticamente estável”, revela. E, nos novos mercados onde a empresa decidiu atuar, todos os esforços, mesmo em voz fixa, estão direcionados ao mercado corporativo. Nesse segmento, já conta com 248,8 mil assinantes.