Ligações on-net ilimitadas em xeque após intervenção da Anatel


Tele.Síntese Análise 351 Os compromissos de antecipação e aumento de investimentos para a melhoria das redes de celular assumidos ontem pelas empresas, para que tivessem liberadas as vendas de chips, demonstraram que medidas extremas adotadas por um órgão regulador, se bem dosadas, podem gerar bons resultados. Na visão do mercado, a urgência da situação começa …

Tele.Síntese Análise 351

Os compromissos de antecipação e aumento de investimentos para a melhoria das redes de celular assumidos ontem pelas empresas, para que tivessem liberadas as vendas de chips, demonstraram que medidas extremas adotadas por um órgão regulador, se bem dosadas, podem gerar bons resultados.

Na visão do mercado, a urgência da situação começa a ser resolvida, mas surge uma ameça à frente: as redes poderão voltar a se deteriorar se forem mantidos os planos tarifários que estimulam o usuário a falar por tempo indeterminado. “Não tem rede de celular do mundo que aguente milhões de usuários falando 40, 50 minutos ininterruptos. A frequência não suporta tanto tráfego ao mesmo tempo”, assinala executivo de uma operadora.

Diretor de outra operadora afirma que as distorções provocadas pelos planos no Brasil são de tal ordem que já tinha muita empresa de telemarketing (altíssima consumidora de voz) desligando suas linhas fixas e mandando as posições de seu de call center só ligar pelo celular. “É uma festa”, argumenta.

Para a agência reguladora, acabar com um plano de serviço tão popular pode ser uma grande incoerência, pois a medida penaliza o usuário. Seu presidente, João Rezende, ao anunciar ontem o fim da proibição à venda dos chips, voltou a afirmar que a Anatel não deve intervir nos preços ou planos de serviços de qualquer empresa. Mas, pela primeira vez, reconheceu que a agência analisa com mais cautela os impactos reais desses planos.

“Não é tarefa da Anatel intervir nos planos comerciais das empresas. Mas a agência já se posiciona para que não haja descasamento do tráfego on-net. Este problema terá de ser enfrentado no cenário regulatório, e não de outra forma”, completou Rezende.

Outro dirigente explicou que a Anatel acompanhava com preocupação a deterioração do tráfego da TIM (a pioneira e mais agressiva operadora na oferta dos planos ilimitados on-net). O tempo fechou de vez quando se constatou que Claro e Oi começaram a anunciar também pacotes de preços para consumo ilimitado. “Aí, tivemos que agir de forma rápida e dura”, afirmou o conselheiro.

No caso da TIM, lembra, o consumo excessivo já estava lesando o usuário, pois, embora ele pensasse que pagava apenas um minuto, falando pelo tempo que quisesse, como a rede estava congestionada, a sua ligação tinha de ser repetida inúmeras vezes. E, para cada chamada, uma cobrança, revertendo o benefício da ligação por tempo ilimitado.

Executivo de operadora assinala que pacote de preços para ligações on-net por tempo indeterminado não é problema. O perigo é quando essa prática é combinada com o baixo preço do minuto de entrada. Aí, o consumo sobe a taxas tão altas que a rede não suporta. “Na Europa há planos de voz por tempo indeterminado, só que esses planos custam no mínimo R$ 35 por mês”, assinala.

A paralisação das vendas por onze dias não deverá trazer muito impacto nos resultados operacionais das operadoras no próximo trimestre, avaliam os executivos. Embora algumas empresas tenham percebido queda nas vendas até em cidades onde não estavam proibidas de comercializar o serviço, esse comportamento não foi muito diferente do esperado para o final do mês.

Normalmente, as vendas de chips são feitas no início do mês, quando o brasileiro tem dinheiro no bolso. A queda nas vendas a partir da segunda quinzena do mês já é esperada e, por isso, as empresas não conseguem avaliar o quanto da queda registrada se deve à cautelar da Anatel.

Os fabricantes de aparelhos celulares avaliam também que o mercado de smartphones não foi afetado, pois normalmente esses aparelhos são vendidos para o usuário mais rico, que tem a segunda linha. Mas dirigentes da Abinee acreditam que possa ter havido uma retração de vendas dos aparelhos low end. De qualquer forma, a indústria imagina que o mercado de aparelhos crescerá 10% este ano, atingindo a marca de 70 milhões até dezembro.

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