Licitação da 450 MHz deve ficar deserta e celulares terão que cobrir área rural


Tele.Síntese Análise 343 A tentativa do governo de vender para um único operador a faixa de 450 MHz não deverá vingar e as celulares terão mesmo de arcar com a cobertura da área rural brasileira ao adquirir a faixa da LTE. Essa é a aposta do mercado para o leilão da Anatel, que ocorre na …

Tele.Síntese Análise 343

A tentativa do governo de vender para um único operador a faixa de 450 MHz não deverá vingar e as celulares terão mesmo de arcar com a cobertura da área rural brasileira ao adquirir a faixa da LTE. Essa é a aposta do mercado para o leilão da Anatel, que ocorre na próxima semana, dia 12, depois de conhecidos os grupos interessados na disputa. Embora o presidente da Oi, Francisco Valim, tenha dito esta semana que a sua empresa fez o depósito de garantias para cobrir todo o edital (o que inclui a garantia exigida para a licitação do tipo A, da banda de 450 MHz, cujo valor era bem maior), nenhum analista acredita que a operadora carioca vai se enveredar em compromissos de cobertura rural por todo o território nacional.

Comenta-se no mercado que os sócios portugueses eram os mais resistentes a essa ideia, apoiada até por alguns incautos brasileiros que viram suas teses derrotadas. “A única chance para a venda exclusiva dessa banda seria com a participação da empresa sueca, que desistiu devido às pesadas garantias exigidas”, assinala executivo do setor, fazendo referência à Net1.

Fontes alertam que a tentativa de venda dessa frequência, com as metas de cobertura rural estabelecidas pela agência, estava fadada ao insucesso desde o início, tanto que a Anatel acabou “empurrando” essas obrigações para a 4G do celular, ao vincular, no mesmo leilão da LTE, a obrigatoriedade de cobertura rural.

Embora os quatro maiores grupos que atuam no mercado brasileiro de telecomunicações tenham se apresentado para a disputa (Claro, Oi, TIM e Vivo), há muitas dúvidas sobre a estratégia de cada um, e, principalmente, se a maior disputa se dará pelas duas faixas nacionais de 20 MHz, como espera a Anatel, ou pelas bandas de 10 MHz (duas nacionais e uma regional, por lotes de cidades).

A equação desse leilão da 4G vai depender muito do posicionamento do grupo Vivo. Diferentes executivos acham que a operadora espanhola pode não disputar as bandas de 20 MHz, ou de 10 MHz nacionais, o que significaria que a operadora preferiu não abrir mão das faixas de MMDS que já tem em São Paulo e Rio de Janeiro. “A Telefônica vai renunciar?” é a pergunta mais ouvida.

Comenta-se que o grupo demonstrou forte resistência à venda dessas frequências neste momento, que não lhe é nada favorável no mercado europeu. A matriz espanhola está com perdas mensais de receitas e uma dívida gigantesca (mais de 45 bilhões de euros) e convive com uma dura crise econômica de todo o continente. A resistência teria batido no Palácio do Planalto, que preferiu, porém, não interferir nos planos da Anatel.

Se a Telefônica não renunciar às frequências que possui, não poderá comprar as bandas nacionais (nem as bandas V1 e V2, embora de 10 MHz), mas poderia ficar com um foot print nacional na LTE se comprar os lotes de 10 MHz da banda P fora do eixo Rio São Paulo.

Essa aquisição poderia ser bem mais barata do que se a empresa disputar, no preço, com a Claro, tida como candidata certa por uma das bandas de 20 MHz, avaliam as fontes. Mas há quem acredite que a disputa vai se dar mesmo pelas faixas nacionais de 10 MHz (a V1 e V2). A primeira banda a ser vendida, a W, de 20 MHz, é um grande “mico”, na opinião de muitas. Apesar de ser ótima no quesito 4G (está pouco ocupada nacionalmente), carrega obrigações rurais de atendimento de estados como Amazonas, Pará, Bahia, Maranhão, Rondônia e Tocantins, que não compensariam ficar com o “filé” do atendimento ao estado de São Paulo com a 450 MHz.

Em seguida, a Anatel vai vender as faixas nacionais V1 e V2. Para estas, imagina-se uma disputa entre TIM e Oi, se a concessionária não estiver no leilão com muita sede. Aí pode haver ágio. Ágio também se espera na venda das faixas em
TDD (tidas inicialmente como o “patinho feio”). Devem ser vendidos cerca de 30 desses lotes, e a disputa se dará entre
as duas operadoras de TV paga: Sky e Sunrise.

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