Leite vê, na 3G HSPA, o caminho para universalizar a banda larga no Brasil.


Se já achava que esse era o caminho, agora não tem mais dúvidas. Depois de participar do Government Delegation, um encontro paralelo ao 3GSM World Congress, que reuniu reguladores e autoridades do setor de telecomunicações de um grande número de países, o conselheiro José Leite Pereira Filho está convencido de que a rede brasileira de …

Se já achava que esse era o caminho, agora não tem mais dúvidas. Depois de participar do Government Delegation, um encontro paralelo ao 3GSM World Congress, que reuniu reguladores e autoridades do setor de telecomunicações de um grande número de países, o conselheiro José Leite Pereira Filho está convencido de que a rede brasileira de banda larga deve ser construída sobre a plataforma de terceira geração da telefonia celular.

A evolução dos sistemas, com a consolidação da tecnologia HSPA (high speedy packet access), também chamada de geração 3,5, o grande número de lançamento de aparelhos celulares e outros terminais de acesso, como computadores e PDAs, com o chipset HSPA embutido, e o anúncio de um celular com preço inferior a US$ 100 são sinais evidentes, na avaliação de Leite, de que a plataforma ganhou escala e funcionalidades que a transformam numa excelente opção para universalizar a banda larga no país.

Por isso mesmo, reviu sua posição anterior — de que as metas de cobertura a serem estabelecidas para o leilão das licenças de 3G poderiam ser cumpridas, nas cidades menores, com a extensão da rede 2G ou 2,5G. “Acho que, com a possibilidade de a 3G, na versão HSPA, ser a infraestrutura nacional de banda larga, não faz sentido, como chegamos a pensar, permitir o atendimento às obrigações de cobertura com uma rede que não permita a comunicação de voz e dados em alta velocidade”, diz ele.

Impressionado com o avanço da tecnologia — os sistemas UMTS HSDPA (o D é de downlink) estão operando com velocidade de transmissão entre 3 e 4 Mbps, e a velocidade média de download nos terminais é superior a 1 Mbps — e com a sua popularização, o conselheiro considera que a Anatel poderá exigir das operadoras um plano mais audacioso de cobertura.

Em sua avaliação, a adoção do UMTS HSPA, como plataforma de banda larga, tenderá a reproduzir, no Brasil, o mesmo fenômeno da introdução da tecnologia GSM na segunda geração da telefonia celular, que puxou os preços para baixo e permitiu ampliar, significativamente, a penetração do serviço. Defensor da adoção de plataformas suportadas por muitos países, o que lhes garante escala, o conselheiro Leite também destacou o projeto 3G for All, conduzido pela GSM Association, para popularizar o uso da tecnologia. O desenvolvimento de um celular com todas as funcionalidades multimídia por menos de US$ 100 (fala-se em US$ 80) já é resultado dessa campanha. O projeto vitorioso, apresentado durante o GSM World Fórum, que terminou ontem, em Barcelona, na Espanha, foi o da LG.

O leilão

Essa nova realidade, na avaliação de Leite, certamente vai ser analisada pelo governo brasileiro. “Essas informações precisam ser apresentadas e discutidas”, diz Leite. Sua posição é de que o leilão das licenças deveria ser realizado em julho ou agosto. Até lá, diz ele, a Anatel terá condições de concluir todo o trabalho de preparação do leilão. Entre as questões pendentes, está a conclusão dos estudos sobre as obrigações  de cobertura. Ou seja, em quantas cidades, a partir de que número de habitantes, as operadoras serão obrigadas a prestar o serviço com investimentos próprios. A definição do preço mínimo das licenças também terá que ser acordada com o TCU.

A decisão de ir para a 3G, na avaliação do conselheiro da Anatel, não interfere no leilão das licenças de WiMAX, que aguarda decisão da Justiça. Segundo Leite, são tecnologias complementares. Só que, enquanto a primeira está madura, a segunda ainda enfrenta uma restrição de escala que impede sua adoção massiva como solução de acesso móvel. Os aparelhos para a freqüência de 2,5 GHz ainda são muito caros e, para a freqüência de 3,5 GHz, não estão disponíveis comercialmente. Por isso, é uma solução de banda larga mais voltada às operadoras fixas.

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