Leilão não arrecadatório e regras claras para 5G podem gerar 200 mil empregos em 2 anos


A introdução da tecnologia 5G no Brasil apresenta hoje muito mais questões do que certezas. Trata-se de uma transição que envolve um grau de complexidade bem maior do que a ocorrida com as tecnologias 3G e 4G. Sua importância para o país é que suportará mudanças radicais, ao levar a economia do mundo físico para o digital.

“Em se tratando de 5G, a principal questão que se coloca hoje no país diz respeito ao modelo de licitação das faixas, cujas regras ainda estão em fase de definição. Além disso, o Brasil se destaca como um país que cobra custos altíssimos nas licitações de bandas”, afirma Paulo Bernadocki, diretor de tecnologia de redes da Ericsson, durante o painel realizado na Futurecom 2019. Segundo ele, nos últimos 20 anos, foram gastos no país R$ 85 bilhões em espectro. Desse total, 30% foram voltados para a infraestrutura de rede móvel.

De acordo com Bernadocki, a grande preocupação do momento é relacionada à reserva de parte do espectro para novos entrantes. “Tirar os espectros das grandes prestadoras, que têm maior capacidade de investimento e competência técnica,  poderá reduzir a atratividade da tecnologia no país”, frisa. A expectativa é de que a 5G gere investimentos diretos em infraestrutura de rede de  R$ 10 bilhões nos próximos dois anos e seja responsável por 200 mil empregos. Portanto, levantar infraestrutura é essencial para o país.

Juntos venceremos

Foi consenso entre os painelistas que os desafios da transição da tecnologia 4G para 5G são grandes, e o governo e a indústria precisam trabalhar unidos para fechar o gap em relação aos países que já contam com a tecnologia, no mais rápido possível. O compartilhamento de rede foi um dos principais temas tratados no painel. “Compartilhamento é um jogo que vem sendo jogado pelas operadoras. O que temos de encarar do ponto de vista regulatório, é a dificuldade no licenciamento de novas antenas que, em algumas localidades, chega a levar cerca de dois anos para licenciar uma antena no país, diz Bernadocki.

Para Átila Branco, diretor de planejamento de redes da Vivo, a rede é um diferencial. “É muito mais fácil compartilhar o interior e cidades com menos de 30 mil habitantes, que são mais atendidos por satélite”. Já, na opinião de Janilson Bezerra, executivo de engenharia da TIM, o compartilhamento de redes foi quase uma imposição para a evolução da infraestrutura no país. A TIM começou compartilhando fibras e backbones com a Vivo, Claro, Oi e provedores regionais. Com a entrada da 5G, a tendência é a rede se tornar um diferencial bem maior. Além disso, os datacenters serão outra complexidade que o 5G trará para o setor de telecom.

Crescimento do tráfego

A expectativa da Ericsson para os próximos cinco anos é quintuplicar o tráfego de dados atual – 20% desse total será voltado para 5G e 80% para 4G. O crescimento exponencial do tráfego nas redes móveis é um fenômeno mundial motivado pelo aumento do consumo individual e penetração de smartphones, aliado ao consumo de vídeo e outras aplicações de alta demanda. “Quando combinamos o aumento do uso de dados com o da migração para smartphones 4G, o volume mensal de tráfego nas redes brasileiras pode crescer até 50% ao ano”, explica Bernadocki.

De acordo com o relatório Spectrum Price realizado pela Ericsson, em 2017, o tráfego por smartphone foi de 2.5GB/mês, crescendo a 35% por ano. Ao mesmo tempo, entre junho de 2017 e junho de 2018, o total de smartphones 4G (LTE) no Brasil passou de 80 milhões para 118 milhões, correspondente a um aumento de 47%. Smartphones LTE são hoje 64%  de handsets no país, segundo dados da Anatel.

LTE subsidiando a 5G

Se considerarmos a outra parte do Brasil que demanda cobertura, como a indústria e a área rural, a tecnologia 5G já começa com oportunidades significativas, se considerarmos a parte do Brasil que ainda tem demanda por cobertura. Painelistas concordaram que o padrão de redes de comunicação móvel LTE certamente subsidiará a introdução da 5G, nos próximos anos.

De acordo com Bernadocki, o 5G não substitui a fibra, mas complementa. “Já enfrentamos diversos contextos relevantes. A questão agora é focarmos em problemas básicos como leilão não arrecadatório e regras claras para os fornecedores disputar pelos contratos”, afirma. Segundo ele, é necessário considerar a perda de investimento, que está ocorrendo, caso atrase a implantação da tecnologia no país.

 

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