Leilão da faixa de 700 MHz: mercado está pacificado


Apesar das ameaças feitas durante o processo, do pedido dos radiodifusores de que o lançamento do edital estivesse condicionado ao final dos testes de interferências e da solicitação das teles de adiar o leilão por 60 dias, para depois das eleições, o cenário está apaziguado. “O ambiente está distensionado”, acredita um executivo do governo. Em sua avaliação, o leilão deverá ocorrer sem percalços, embora o preço ainda não seja público.

Mas nem o preço mínimo deverá provocar grandes surpresas.  Já há uma sinalização clara de que deverá ficar entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões – o mais provável é fique no meio do caminho. Para a indústria é alto, mas como o governo abriu mão de contrapartidas de cobertura e permitiu que as frequências de 700 MHz sejam usadas para atender às metas do leilão da 4G em 2,5 GHz, analistas entendem que algo em torno desse valor não é absurdo.

TIM já divulgou nota pública informando que vai ao leilão; Telefônica Vivo confirmou sua participação por meio de seu presidente; a Claro não se posicionou, pressionou pelo adiamento, mas não vai deixar a Telefônica Vivo sozinha na disputa. E a Oi, depois de sua bem sucedida operação de oferta de ações (a captação de R$ 6,25 bilhões ficou dentro das expectativas, elevando-se para R$ 8,25 bilhões com os aportes dos sócios e do BCG Pactual) certamente ganhou fôlego para ir ao leilão.

Se o preço será superior ao que as operadoras gostariam de pagar, certamente as condições de pagamento estimulam a participação. O sinal continua em 10% do valor e o saldo em seis parcelas, mas com juros de 0,5% e não de 1% como no leilão das 2,5 GHz. Para facilitar a participação, o BNDEs colocará à disposição das empresas linha de financiamento com juros de 6% ao ano, segundo fontes de governo.

A participação das operadoras e a concordância dos radiodifusores com os mecanismos de financiamento da migração de emissoras para outros canais e de doação de conversor digital para as famílias de baixa renda (pela entidade gestora a ser criada) não significam que todas as arestas estejam aparadas. Na sexta-feira, 2 de maio, serão publicados os resultados dos testes de interferência entre os sinais da telefonia móvel de 4G e os da TV digital. Todas as entidades que acompanharam os testes devem assinar o documento, mas é possível que surjam ressalvas. Mas nada, dizem os técnicos da Anatel, que seja insuperável.

“Todas as interferências constatadas podem ser sanadas com filtros”, afirma um dos técnicos envolvido nos trabalhados. Esta semana também a Abinee depositou na Anatel os testes que encomendou ao Cetuc/PUC do Rio de Janeiro, onde foram também constatadas interferências.

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