Lançamentos em HSPA+ mostram que operadoras estão preparadas para 4G


Os recentes lançamentos pelas principais operadoras brasileiras de serviços na tecnologia HSPA+, conhecida como 3,5G por oferecer uma velocidade de conexão intermediária entre a terceira e quarta geração de telefonia móvel, são um indicativo de que a infraestrutura das companhias está preparada para o eventual upgrade para o LTE. É o que afirmou Erasmo Rojas, diretor de América Latina e Caribe da associação 4G Americas, que reúne algumas das principais operadoras e fabricantes de equipamentos do setor, em entrevista ao Tele.Síntese.

 

“Ainda é preciso melhorar muito o backhaul”, afirmou Rojas, lembrando que boa parte da infraestrutura que conecta as antenas de telefonia móvel ainda é de cobre ou cabos coaxiais, que só fazem a transmissão de dados a velocidades de até 2 Mbps, enquanto uma rede de transmissão de microondas, Ethernet ou, principalmente, fibra óptica, permitem velocidades de até 10 Mbps. O custo da migração, no entanto, fez com que as operadoras adiassem o upgrade.

 

Para Rojas, no entanto, isso está mudando. “Quando as operadoras lançam um serviço em HSPA+, significa que, potencialmente, elas já podem oferecer LTE, porque já fizeram essa mudança”, disse o executivo. Ele destaca a oportunidade que a banda larga móvel de alta velocidade oferece para as operadoras incrementarem suas receitas, uma vez que podem cobrar mais caro pela velocidade maior, além de atrair mais clientes para os planos de dados mais básicos.

 

“Há uma fome entre usuários de baixa renda para se conectar à internet, mas a barreira ainda é o preço”, disse Rojas, citando pesquisa da consultoria Plano CDE que afirma que 78% dos jovens das classes C, D e E têm a internet no celular como prioridade de investimento caso tivessem um aumento de R$ 500 na renda pessoal.

 

Embora a banda larga móvel já tenha superado a banda larga fixa em número de acessos no país (o Brasil encerrou o terceiro trimestre com 34,5 milhões de acessos móveis e 16,2 milhões acessos fixos, segundo dados da associação Telebrasil), Rojas lembra que muitos dos pontos de acesso contabilizados (qualquer dispositivo 3G) não são de fato usados. “As pessoas não usam internet em featurephones [meio-termo entre um celular comum e um smartphone] devido ao preço”, afirmou.

 

O executivo espera, no entanto, que as operadoras reduzam os preços de seus planos de dados, e que a base instalada de smartphones cresça 50% em 2012, impulsionada pelo aumento do poder aquisitivo no país e a taxa de câmbio favorável, entre outros fatores. Segundo Rojas, já foram comprados um total de 20 milhões de smartphones no Brasil, o que representa 10% do mercado brasileiro de celulares.

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