Lançamento comercial do serviço MVNO dos Correios só em 2015


A aprovação pelos acionistas do Grupo Poste Italiane para firmar a joint venture com a ECT para operar o serviço móvel de rede virtual (MVNO) no Brasil deve ocorrer em setembro, o que vai gerar um atraso no cronograma de constituição da empresa. Com isso, a previsão inicial, de lançar o serviço comercialmente no final deste ano não deve acontecer. “A expectativa é que esse lançamento aconteça no primeiro semestre de 2015. Estamos no fechamento de dois documentos, o acordo de acionistas e o acordo de investimentos e, como nesta época na Europa é um período de férias, devemos fechar esses acordos só em setembro. A partir daí é que vamos constituir a operadora”, informou hoje (13) Antônio Luiz Fuschino, vice-presidente de Tecnologia e Infraestrutura da ECT. 

“Não há mais nada de relevante sendo discutido. Após a assinatura, a joint venture (ainda sem uma marca) entrará com o pedido de licença na Anatel e a expectativa é que obtenha a autorização em seis meses”, acrescentou. Em seguida, será feito um piloto e intensificadas as negociações com as operadoras. Os investimentos serão em torno de R$ 150 milhões. A joint será constituída por 51% do grupo italiano e 49% dos Correios. O estabelecimento de mais 1% para os italianos se deve ao fato de ser uma empresa privada. Se a empresa fosse controlada pela ECT teria limitações até para se contratar funcionários, por ser uma empresa pública e exigir concursos e outras medidas burocráticas. De acordo com Fuschino, todas as operadoras já foram procuradas e demonstraram interesse em negociar com a a futura MVNO.

Ele avalia que não haverá problema na negociação com as operadoras para o uso da rede. “A possibilidade de vender chip em mais de dez mil pontos de atendimento pode fazer diferença no market share, portanto, é um projeto atrativo para elas”, afirmou. O vice-presidente da ECT acredita também que haverá muita sinergia entre o negócio da MVNO e do Banco Postal. “A ideia é levar, nesse chip, as principais transações do Banco Postal embarcadas de modo que, em qualquer aparelho, o cliente possa fazer consultas, pagamentos. Seria uma alavanca no mundo telecom e no mundo financeiro uma possibilidade concreta de redução de custo.”

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O acordo entre a ECT e o Grupo Poste Italiane para operar o MVNO foi firmado em fevereiro. Pelo acerto, a joint venture será criada com base na experiência da italiana Poste Mobile – braço de MVNO do Correio italiano, criado em 2007 e com mais de três milhões de clientes.

Internet das Coisas

Fuschino aponta sinergias também com os serviços já implementados pelos Correios, com mobilidade e no conceito de Internet das Coisas (IoT). Em uma palestra realizada na tarde de hoje no Conip (Congresso de Informática, Inovação e Gestão Pública) que se realiza em São Paulo, ele relatou algumas das experiências para rastreamento dos produtos . O projeto envolve a automatização de triagem, códigos de barra e o uso de smartphones pelos funcionários. “Hoje, os carteiros do serviço Sedex 10 usam smartphones e registram no aparelho as informações, lançadas automaticamente no sistema. Antes, tinham uma lista que tinha que ser lançada no sistema”, contou.

O resultado, destacou, é ganho de eficiência operacional, redução de custo com mão de obra e com processos, estimados em R$ 51,5 milhões ao ano. Outra iniciativa no conceito de IoT é a instalação de terminais de autosserviço – o destinatário define o terminal, o carteiro deposita a encomenda no local e envia um SMS para que a mercadoria seja retirada naquele terminal. O piloto está sendo realizado em Brasília, onde será instalado mais um terminal; São Paulo e o Rio de Janeiro terão oito terminais cada, e Curitiba, quatro. A ideia é que esses terminais funcionem em locais de grande circulação com shopping centers, metrô e aeroportos.

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