José Otero: Contribuindo com a definição da 5G


Jose Otero, diretor AL e Caribe 4G Americas
Jose Otero, diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas

*por José Otero

Já começou o alvoroço em torno do que é chamado 5G. A atenção que atualmente se coloca ao que deverá ser a próxima geração de tecnologias móveis – que por sinal, ainda não existe e que, todavia, se encontra rotineiramente – é compreensível, uma vez que os dispositivos móveis já são parte da vida das pessoas. E não é inteiramente infundada: alguns setores da indústria já estão discutindo e tentando chegar a um acordo sobre as linhas gerais do que será esta nova família de tecnologias móveis.

Mas vamos por partes. De fato, existe uma pequena confusão a respeito dos nomes e das tecnologias. O que popularmente conhecemos como 4G, e agora 5G, são os nomes comuns que a indústria e os meios de comunicação têm adotado para agrupar determinadas gerações de tecnologias móveis. Não se tratam de tecnologias propriamente ditas. Por exemplo, a tecnologia GSM é padrão da segunda geração (2G), enquanto que existe consenso de que tecnologias como UMTS e HSPA sejam consideradas como de terceira geração (3G).

Assim, as distintas tecnologias não são estáticas, uma vez que são desenvolvidas continuamente. Às vezes é difícil determinar onde termina a evolução de uma e começa a evolução de outra. Por exemplo, HSPA+ é uma evolução da HSPA, mas pode ser considerada uma tecnologia de quarta geração (4G) em função das características que disponibiliza. Por outro lado, não há dúvidas de que LTE é 4G.

Mas, enquanto a forma de agrupamento das gerações tecnológicas pode ser confusa, na União Internacional de Telecomunicações (UIT) não existe brecha para interpretações. Este braço da ONU é que emite os requerimentos que “dão forma” às tecnologias. Assim, os requerimentos da International Mobile Telecommunications-2000 (IMT-2000) deram vida à 3G e, posteriormente, os requisitos IMT-Advanced geraram a 4G.

Agora, a indústria, através das contribuições individuais, associações e organismos normalizadores, está discutindo o que será dos requerimentos IMT-2020, dos quais deverá nascer a tecnologia futura que já estamos chamando 5G.

Vivemos em um mundo de padrões e a indústria de telecomunicações não é exceção à esta regra. A padronização permite reduzir os custos, acelerar e facilitar a chegada de novas tecnologias e torná-las acessíveis para a maior quantidade possível de pessoas.

A definição de padronização é possível graças ao debate e aos acordos. Concordar com as necessidades e exigências da tecnologia é o primeiro passo para um novo progresso. Neste sentido, a 4G Americas é uma das organizações que está liderando o debate sobre quais deveriam ser algumas das características que deve ter a tecnologia denominada 5G.

Para cumprir este fim, temos publicado vários estudos sobre o tema, que incluem desde uma lista de quais seriam algumas das tecnologias que devem incorporar como parte do ecossistema que acompanha a 5G, até o mais recente, que identifica algumas frequências de espectro radioelétrico que poderiam ser atribuídas para os serviços desta nova geração de rede sem fio digital.
Deste modo, a 4G Americas encontra-se ativa e participando de foros da União Internacional de Telecomunicações (UIT), a Comissão Internacional de Telecomunicações (CITEL) e dialogando com os reguladores dos distintos países das Américas.

Como é sabido, o acordo e o diálogo formam um elemento central na evolução tecnológica das telecomunicações. Neste sentido, também as empresas necessitam clareza em explicar aos governos quais seriam os benefícios para melhorar os serviços que oferecem as redes digitais sem fio que têm atualmente em cada um dos mercados da região. Este diálogo deve ser muito claro também no momento de estabelecer tempos de implantações da nova tecnologia digital, pois como foi declarado inicialmente, a UIT ainda não tem definido os parâmetros do que se espera da tecnologia 5G.

Em outras palavras, a curto e médio prazo os operadores e fabricantes devem ressaltar a importância do LTE e sua evolução, LTE-Advanced na região como um link para as futuras gerações. Não é porque se menciona constantemente na mídia que veremos a 5G implantada comercialmente em poucos meses. Falta no mínimo, mais de meia década para o surgimento das primeiras redes desta tecnologia.

*Por José Otero é diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas

Anterior Cai adesão ao programa INOVApps, do Minicom
Próximos Dell e HP venderão hardware da Microsoft