Jonio Foigel defende IPTV para expansão da banda larga


Para o presidente da Alcatel-Lucent, Jonio Foigel, o serviço de IPTV é um dos melhores meios para incentivar investimentos e aumentar a banda larga em um país. “Em todos os países onde o IPTV foi implantado, a penetração da banda larga cresceu, criou-se competição entre as operadoras, entre elas e as empresas de TV a cabo, e a instalação de redes de fibra óptica aumentou”, disse hoje, ao participar dos debates sobre IPTV, cabo e banda larga, realizado no 25º Encontro Tele.Síntese, promovido pela Momento Editorial. “Estamos atrasados no Brasil na oferta do IPTV, um serviço que tem acelerado o crescimento da penetração da banda larga e gerado grande investimento na fibragem”, acrescentou.

Na análise do executivo, ao aumentar a cobertura com redes de fibra, as operadoras aumentam a própria competição e melhoram a qualidade do serviço. “Com a fibragem, os equipamentos podem ser deslocados para regiões ainda não atendidas, contribuindo também com o Plano Nacional de Banda Larga”, sugeriu.

Foigel criticou o atraso na oferta de IPTV no país, afirmando que se deve a regulamentação que misturou conteúdo com distribuição. “Os dois assuntos, absolutamente separados, foram misturados, o que criou a paralisação do processo de fornecimento de serviço”, comentou, numa referência ao PL 116. Na sua opinião, a distribuição é um assunto que deve ser tratado pelo regulatório, e o conteúdo tem que ser incentivado com políticas públicas.

Foigel citou alguns números para mostrar o tamanho desse mercado: O Brasil já tem mais de 80 milhões de usuários de serviços online, número que ultrapassa o volume de qualquer país europeu, isoladamente; em 2010, 12% das TVs pagas a cabo foram desconectadas no mercado americano porque os usuários estão acessando programas por meio da internet; a Netflix, empresa que praticamente inexistia, já responde por 20% do tráfego IP no mercado americano. “Todos esses números para dizer que, em 2011, nós ainda estamos, no Brasil, discutindo se liberamos ou não o IPTV para o uso pelas operadoras de telecom. Enquanto a gente discute, a tecnologia e a abertura do mercado estão esmagando qualquer benefício que poderia ser trazido por uma operadora de vídeo”, afirmou.

O presidente da Alcatel-Lucent observou que os números globais mostram que o mercado de IPTV não ameaça o de TV a cabo: o mercado mundial de IPTV é da ordem de US$ 7 bilhões, enquanto o de TV a cabo é 14 vezes maior, próximo US$ 90 bilhões. Por outro lado, ressaltou, 10 pontos de penetração a mais (com o  IPTV) seriam responsáveis por cerca de 1% de crescimento no PIB na economia dos países.

Foigel destacou ainda que, no Brasil, o modelo de distribuição de conteúdo de TV paga foi deformado – há 50% via cabo, 46% por DTH e os 4% restantes por outras tecnologias. “As operadoras desse serviço passaram a ser as operadoras de telecom”, disse, lembrando que as concessionárias passaram a ser as proprietárias de TV a cabo e as grandes distribuidoras de DTH. “A penalização é que paralisamos a penetração da banda larga fixa e não houve investimento na fibragem, pois congelamos o processo por não haver serviço que necessitassse da fibra”, enfatizou, reforçando que o IPTV teria trazido competição na TV a cabo e na banda larga.

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