Jonas Justo: A velocidade do 4G no Brasil está acima da média mundial, mas preço ainda atrapalha


Jonas-Justo-CEO-Melhor-Escolha

*Texto de Jonas Justo, CEO da Melhor Escolha plataforma de comparação de planos de TV por assinatura, internet, telefone fixo e móvel (Foto: Divulgação)

É bem verdade que a Internet 4G ainda pode ser considerada algo recente na maior parte do mundo, e isso reflete na qualidade do serviço oferecido, que aqui no Brasil chega a pouco mais de 55% do território nacional – mesmo quatro anos após o lançamento da tecnologia. No último relatório da Open Signal, consultoria que mede a qualidade de internet móvel em todo o mundo, a velocidade média da conexão 4G no Brasil chegou a 19,3 Mega, acima da média mundial de 16,2.

Estes números inspiram um desempenho satisfatório no Brasil no que diz respeito a velocidade. Entretanto, a dificuldade no acesso ainda é tanta que apenas em outubro de 2016 tivemos, pela primeira vez, mais celulares conectados às redes 4G do que as antigas 2G (usadas para chamada de voz). Por outro lado, com o desligamento da TV analógica, programado para terminar até o final de 2018, as operadoras poderão usar a faixa de 700 MHz e estabelecer de fato essa tecnologia no Brasil. Isso será possível porque frequências mais baixas, como essas, oferecem um custo de implantação muito menor do que as frequências mais altas, como a de 2600 GHz e 1800 MHz, até então as únicas disponíveis no país.

Os primeiros sinais da evolução já começam a aparecer. Os números divulgados por essa mesma consultoria apontam que a disponibilidade do 4G no Brasil está melhorando. Antes da liberação da frequência 700 MHz, nenhuma operadora conseguia entregar aos usuários uma conexão 4G em mais de 60% do tempo. Mas em testes recentes, a TIM e a Vivo apresentaram uma disponibilidade de 4G superiores a 62% do tempo. Vale ressaltar que a Claro foi a líder em velocidade no período de teste de março a maio, com velocidades de download de 29,2 Mega, seguida pela Vivo, com um download médio de 20,6 Mega.

Apesar da boa notícia, os preços deste tipo de serviço continuam salgados e é preciso pesquisar muito antes de adquirir um plano de Internet 4G. Diante dos altos valores praticados neste mercado, o ideal para os consumidores que usam bastante a conexão são os planos pós-pagos com franquias acima de 4 GB por mês.

Em São Paulo, operadoras como a Porto Seguro e a Nextel surgem como as alternativas mais baratas. A Porto, por exemplo, oferece plano de 5 GB por R$ 89,90, seguida da Nextel, por R$99,99 mensais. Já empresas como Claro, TIM, e Oi oferecem opções de 4GB ou 5GB com valores que ultrapassam os R$ 100 mensais, podendo variar em até R$30 a diferença de preço entre elas.

O fato é que os valores praticados hoje são inacessíveis para a maioria da população. Com a liberação da nova frequência é esperado que não apenas a cobertura evolua, mas que os preços fiquem mais compatíveis com o bolso do brasileiro.

Anterior Google apela de multa bilionária imposta pela Comissão Europeia
Próximos Abinee: Indústria eletrônica cresce 24% em um ano

2 Comments

  1. Marcos Amorim
    11 de setembro de 2017

    Realmente, nos pós pago ainda temos valores altos demais. A maioria dos planos inicia com pacotes de 4GB e valores acima de R$ 100,00, enquanto no pré-pago semanal é possível conseguir 2GB por semana pelo valor de R$ 15,00.
    As operadoras estão se perdendo em seus planos, pois com certeza será mais vantajoso ter uma plano de R$ 15,00 por semana, o que me custará bem menos do que no pós pago e ainda assim terei muito mais internet. O pós pago precisa ter franquia iniciais maiores de internet, senão a maioria irá migrar de pós para pré.
    Como usuário pós, espero que minha operadora disponibilize mais internet, senão a melhor opção será o pré-pago, já que pouco uso os minutos disponíveis do meu plano.

  2. Aldevany Hugo
    11 de setembro de 2017

    Falta também as operadoras investirem nas pequenas cidades. Muito se fala e muito se investe nas grandes cidades onde a movimentação financeira é maior e onde também consta o maior número de habitantes. Com altos lucros, as operadoras não querem investir em cidades pequenas e pouco se importam em expandir o mínimo necessário para gerar competição. Moro numa cidade onde só tem a operadora Oi e conheço milhares de outras que semelhante a minha, só existe Tim, Claro ou apenas a Vivo como opção. E pior! Muitos lugares só tem conexão 2G ainda, fala-se muito no 4G e no futuro 5G, mas não investem direito para ampliar a cobertura móvel nem no 3G. O serviço móvel celular é muito caro, todas as cidades brasileiras deveriam ter conexão de todas as operadoras, mas o governo federal juntamente com a “Anacartel” não aplicam a lei de forma a beneficiar toda a população. Há muito o que melhorar ainda, estamos na luta!!