Jon Gearinger: O que esperar do SDN?


A virtualização da função de rede está entrando com força em telecomunicações de maneira mais rápida que minhas expectativas. O conceito de ciclos de computação disponíveis regionalmente, ou de forma amplamente distribuída, é uma óbvia conquista para nossos clientes.

Jon Gearinger, Level3 Communications (foto: divulgação)
Jon Gearinger, Level3 Communications (foto: divulgação)

Como em qualquer evento, é sempre um bom sinal quando os palestrantes iniciam sua exposição já munidos de opiniões fortes e opostas. E o Light Reading Big Telecom Event deste ano não foi diferente. No show deste ano, software-defined networking (SDN) foi inesquecível, pois especialistas do setor avaliaram como operadoras usarão essa tecnologia para reduzir OPEX (despesas operacionais) e permitir que esse OSS (sistema de apoio operacional) de última geração informe como fornecem elementos essenciais de rede. Na qualidade de alguém que está na linha de frente do setor, abaixo segue o que levei do evento deste ano.

Padrões Abertos

E o setor está comprometido com a questão, com diversos participantes indicando que soluções de propriedade reservada não tinham lugar em suas redes. É evidente que ainda há muito trabalho a ser feito, porém os benefícios de padrões abertos valem o esforço. Protocolos de propriedade reservada frequentemente acrescentam muita complicação e, em longo prazo, podem levar a trabalho adicional de engenharia. Telecomunicação é algo complicado, trabalho em rede é complicado e SDN apresenta a possibilidade de simplificar o uso e a gestão dessas redes complexas. A Level 3 sempre apoiou padrões abertos a partir de IP, para SIP e para nossa rede CDN e espera que o setor continue a trabalhar rumo a padrões abertos em SDN.

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SDN e NFV podem viabilizar soluções escaláveis

A virtualização da função de rede está entrando com força em telecomunicações de maneira mais rápida que minhas expectativas. O conceito de ciclos de computação disponíveis regionalmente, ou de forma amplamente distribuída, é uma óbvia conquista para nossos clientes. Sem um sólido projeto de SDN, a gestão e implantação de NFV poderá se tornar difícil de administrar; isto posto, há muitos fornecedores com soluções como túneis GRE que podem solucionar a necessidade de ciclos de computação distribuídos sem mobilização de SDN. Pessoalmente, vejo uma enorme oportunidade de usar NFV para resolver a necessidade de IaaS ou SaaS de uma empresa em rede de NFV distribuída ou semi-distribuída; isso poderia trazer importância para a nuvem. Fico me perguntando:

  • E se eu pudesse oferecer a meus clientes ciclos de computação mais avançados? Para que usariam isso?
  • E se eu pudesse oferecer a meus parceiros ciclos de computação mais avançados? O que eles poderiam oferecer a meus clientes?

Vejo a oportunidade de colocar aplicativos virtualizados em destaque na rede, o que sempre foi possível, porém agora com hardware escalável e com sistemas de orquestrações em desenvolvimento no setor que podem oferecer acesso dinâmico à rede de forma escalável. NFV terá imenso impacto no mercado e precisa formar um conjunto inseparável com SDN para ter sucesso.

As pessoas querem falar sobre neutralidade de rede em todas as oportunidades

Durante um seminário, foi formulada uma pergunta sobre federação de redes SDN e, quase imediatamente, o tópico mudou para neutralidade de rede. As pessoas estão preocupadas com a maneira como possíveis modificações da neutralidade de rede afetarão a capacidade das pessoas de trabalharem juntas em colaboração. Com a federação se tornando padrão em áreas como voz, videoconferência e IM/presence, por que não poderia também ser aplicada a CDN, SDN ou ciclos de computação? Essas preocupações são semelhantes àquelas a respeito de fornecedores de hardware e software que não seguem padrões abertos… se cada um de nós cuidar apenas de sua “própria função” isso impedirá inovações. Algumas das modificações propostas sobre neutralidade de rede podem ameaçar a possibilidade de trabalhar em conjunto em ambiente de colaboração para resolver e abordar solicitações de usuários finais. Bem, se você também está preocupado com o assunto, eu o recomendo a leitura de Confessions of an Internet Middleman, de Mark Taylor, para conhecer outras ideias sobre o tema.

Assim, o resumo final é este: SDN e NFV estão entrando com força no mercado, mas na minha opinião, ainda não se chegou a nenhuma conclusão sobre quem, o quê, e como. Mal posso esperar ver ambas as tecnologias se transformarem em mais do que apenas novas siglas bacanas!

 *Jon Gearinger, Principal Solution Architect, Network Applications

Level 3 Communications, USA

 

 

 

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