Jobs, da Apple, pede o fim da proteção para música. Paradoxo?


Deu na imprensa dos EUA, e não é para menos, visto que a mensagem do CEO da empresa, Steven P. Jobs, está no portal da companhia. O recado vai para as maiores gravadoras: parem de restringir a venda de música online com software anti-pirataria. O The New York Times considera isso uma piada, uma vez …

Deu na imprensa dos EUA, e não é para menos, visto que a mensagem do CEO da empresa, Steven P. Jobs, está no portal da companhia. O recado vai para as maiores gravadoras: parem de restringir a venda de música online com software anti-pirataria. O The New York Times considera isso uma piada, uma vez que o iPod e a iTunes Store – ambos da Apple – foram as iniciativas que formataram o mercado de música online, portanto, têm muito a ver com o sistema de proteção vigente.

Aliás, como a Apple usa seu próprio software de proteção, as músicas que vende só podem ser tocadas no iPod, motivo pelo qual os governos europeus estão pressionando a empresa. Colocada no portal ontem, 6 de fevereiro, a mensagem de Jobs tem o título “Thoughts on Music,” mas se dirige às quatro grandes: Universal, Sony BMG, Warner e EMI.

Crise

Jobs sugere que os selos dividam o gerenciamento de direitos autorais (DRM, da sigla, em inglês) entre si, com o argumento de que, no ano passado, só 10% de todas as músicas vendidas foram comercializadas de uma loja online, e que, hoje, a música é facilmente carregada em tocadores digitais a partir de CDs sem quaisquer tipos de proteção contra cópias. Assim, escreve o executivo, anexar DRM a músicas vendidas online só limitou a atividade das lojas.

O CEO da Apple se manifesta no exato momento em que a indústria de música está em crise, suas vendas físicas diminuem, e a comercialização online não é suficiente para cobrir os prejuízos. As vendas de álbuns caíram 15% em janeiro, o pior desempenho para o mês desde 1991, início das vendas de faixas musicais pelo computador.

Pingos nos iis 

Recentemente, em evento internacional das gravadoras, na França, foi levantada a hipótese de a disponibilidade generalizada e irrestrita de música digital se tornar uma realidade, em poucos anos. Mas quando Steven Jobs entra em cena, essa possibilidade ganha outro peso.

Enquanto isso, MySpace, a poderosa rede social que hospeda incontáveis selos independentes e mesmo de grande porte, aderiu ao formato MP3 sem quaisquer restrições para os artistas que escolhem vender música no canal.

Por outro lado, um porta-voz da EMI foi direto ao ponto: a não-interoperabilidade entre plataformas e dispositivos digitais está se tornando um incômodo para os consumidores de música. Algumas fontes da indústria lêem a mensagem do CEO da Apple como uma tentativa de desviar a atenção sobre essa incompatibilidade. Outras, observam que uma parte das gravadores integra grandes conglomerados de mídia cujos produtos incluem cinema e televisão e, acabar com o DRM para música, poderia ter efeitos perigosos sobre a proteção de vídeos.

Já a Apple… 

Porém, muita gente acaba admitindo que, se qualquer coisa puder tocar em qualquer dispositivo, seria uma vitória para o mundo de produtos eletrônicos de consumo, mas um desastre potencial para empresas de conteúdo.

De seu lado, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica vem, há muito tempo, batalhando em favor da interoperabilidade. A seu ver, a Apple deve licenciar seu DRM (o software FairPlay), de modo que as músicas do iTunes possam tocar em outros dispositivos além do iPod. (Da Redação)

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