ISPs precisam se preparar para a consolidação, diz Perez, da Abrint


A onda de fusões e aquisições de provedores regionais de banda larga está apenas começando. E os provedores que têm interesse em crescer dessa forma precisa se preparar, conforme o diretor da Abrint, Basílio Peres. Um dos movimentos mais importantes é informar corretamente a Anatel sobre a base de usuários.

“Para participar [das fusões], os provedores precisam mostras estes números ao mercado. Para se fundirem, precisam mostrar os números da Anatel, precisam explicar pra sair do Simples Nacional”, ressalta.

Segundo ele, quando os provedores passarem a notificar corretamente os números, haverá um aumento vertiginoso na base de banda larga nacional. “Nós temos uma ideia de que os provedores dominam ao menos 40% do mercado, um mercado que é maior do que é registrado oficialmente. Tem 11,8 milhões de usuários não registrados, que dizem respeito à diferença entre o que é obtido de usuários de banda larga em casa no estudo TIC Domicílios, e os dados da Anatel”, lembra.

A união de provedores virá também pelo domínio que estes têm do mercado e da tecnologia. “O provedor que está lançando fibra tem que ser um pouco mais estruturado como empresa. Porque quem usa rádio, compra rádio conforme a clientela aparece. Com fibra óptica não funciona assim. É preciso um projeto de cobertura total”, observa.

Ele vê com otimismo a iniciativa do BNDES e permitir o acesso dos ISPs a linha de crédito de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões e a promessa de acesso ao FGI, fundo garantidor que, embora não tenha sido criado para os ISPs, passou a aceitá-los. “BNDES está disposto a fazer negócio direto com provedor de R$ 1 milhão. É bastante para o provedor? Sim, mas também vai permitir projetos um pouco maiores. E não ter intermediários facilita”, diz.

Perez explica, ainda, que a criação da LAC-ISP, associação setorial que reúne provedores de banda larga regionais da América Latina e Caribe tem por objetivo facilitar o intercâmbio de experiências e aumentar a influência dos ISPs na definição de políticas públicas. “Politicamente, uma associação internacional acaba tendo mais peso que uma local”, afirma.

Ele espera que dessa forma consiga trazer ao Brasil modelos que facilitem a consolidação, como a cessão simplificada de uso de postes para projetos maiores de FTTH, “nos outros países, como na Colômbia, é muito mais barato alugar um poste”. Ou convencendo o governo e o Congresso a criar um escalonamento tributário para que ISPs saiam do Simples Nacional e sobrevivam. “Não dá pra sair de 5% de impostos para 25%. Agora ir para 7%, 10%, a adaptação é possível”.

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