Iridium procura garantir seu futuro com nova geração de satélites


Onze anos depois de ter quebrado, deixando de pagar empréstimos que somavam US$ 1,5 bilhão, a Iridium, empresa de serviço móvel por satélite de baixa altitude (estacionados em órbitas não superiores a 800 quilômetros de distância da superfície) procura firmar uma nova imagem no Brasil. Seu diretor regional para a América Latina, Gustavo de Lucio, anunciou que a empresa fechou nesta terça-feira, dia 21, contrato com a Thales Alenia Space para desenvolver o design e a construção da nova geração de satélites de baixa altitude – a constelação Iridium NEXT, que substituirá a atual, composta de 66 unidades em órbita.

Segundo Lucio, os novos satélites estarão em órbita em 2015. Serão 81 unidades. O projeto compreende investimentos de US$ 3 bilhões, dos quais US$ 1,8 bilhão serão financiados. “Já temos 95% dos US$ 1,8 bilhão assegurados pelo Coface, agência francesa de crédito, e reassegurados por um consórcio de bancos”, afirmou o executivo em uma apresentação à imprensa em São Paulo.

Lucio credita ao Brasil um lugar “crítico” para alavancar o crescimento da companhia que faturou no ano passado US$ 319 milhões e hoje possui 383 mil clientes ao redor no mundo, um crescimento da base de 16,8% sobre um ano antes.

Atuação nas áreas de sombra

“A empresa, que abriu seu capital na Nasdaq no ano passado, nada tem a ver com a antiga Iridium”, fez questão de frisar, referindo-se à falência vivida nos anos 90. Segundo ele, o empréstimo será remunerado a taxas relativamente baixas, de 6% ao ano, a partir de 2017, quando a nova constelação de satélites estiver plenamente operacional.

O executivo informou que o novo modelo de negócio da Iridium — ao contrário do passado — é atuar onde as operadoras móveis não atuam. Ou seja, nas áreas de sombra em terra firme, em alto mar e nos polos. “Somos a única empresa que oferece transmissão por satélite em todo o globo”, garante. “Somos complementares e podemos oferecer inúmeras soluções nessas áreas”, resume.

Preços das soluções

Seus custos de voz, cobrados por meio dos parceiros locais, são de R$ 5,00 por minuto, independente de onde se encontram o emissor e o receptor da mensagem. E, no caso dos pacotes de dados, a Omnilink, outro serviço oferecido por parceiros locais, por exemplo, cobra no Brasil entre R$ 60 a R$ 100 pacotes de 3 mil a 8 mil bytes por segundo. E outros R$ 12 por cada mil bytes execendentes. Os dispositivos da Iridium variam de transmissores de pequenos pacotes de dados, de até 340 bytes por segundo — que funcionam emitindo dados simples, a exemplo de torpedos– a soluções de “banda larga marítima”, que incluem dados a 128 kpbs e três canais de voz. E, claro, os equipamentos handhelds, semelhantes a celulares comuns, para comunicação de voz. Os modems para a constelação de satélites Iridium custam aos integradores entre R$ 800 a R$ 850, mas os preços podem ser mais baixos, conforme o volume de equipamentos contratados.

Casos brasileiros

A empresa apenas vende os serviços de satélite e os modems e transmissores que se conectam à constalação. No entanto, possui mais de 200 parceiros ao redor do mundo que complementam o serviço desenvolvendo soluções no entorno dos equipamentos. No Brasil, a NRG Telecom e a Enalta estão entre eles. As duas empresas desenvolveram um sistema de rastreamento com o modem Quake Global 9612 que equipa máquinas colheitadeiras com sensores e GPS wireless para monitorar velocidade, temperatura do motor, pressão do óleo e bateria. Os dados colhidos são transmitidos em dados de rajadura curta (SBD) para estações de monitoramento. A solução é adotada, por exemplo pela Delarco Agricola, para ter o mapa das colheitadeiras de cana de açúcar, a fim de previnir problemas de manutenção da frota e garantir maior eficiência.

Já a JBS Friboi usa uma solução da Zatix, outro parceiro da Iridium, que equipou 1,5 mil caminhões com o Volksnet para rastreamento e monitoramento dos veículos e dos motoristas. O sistema acompanha eventos de frenagem, aceleração e excessos de velocidade. E possui a capacidade de mudar de operadora de celular quando dentro da faixa de serviço, ou comutar a comunicação para o sistema Iridium nas zonas de sombra.

Lucio aposta em verticais como petróleo e gás, aplicações de emergências (onde botões de pânico acionam por satélite o resgate), entre outras, para o mercado local. Ele afirma que está aberto a trabalhar com o governo brasileiro para parcerias em soluções de telefonia rural, mas informa que seu sistema oferece transmissão de dados a velocidades de 128 kbps, inferiores às exigidas pelas regras da Anatel.

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