IPTV: opção de receita para operadoras.


Os desafios são inúmeros, a legislação não ajuda; no geral, as operadoras dominantes de TV por assinatura não querem concorrência; os consultores afirmam que a entrada das operadoras de telecomunicações no transporte de conteúdo e no provisionamento de serviços de TV é inevitável; no exterior, todos os dias uma nova operadora anuncia serviços de IPTV; …

Os desafios são inúmeros, a legislação não ajuda; no geral, as operadoras dominantes de TV por assinatura não querem concorrência; os consultores afirmam que a entrada das operadoras de telecomunicações no transporte de conteúdo e no provisionamento de serviços de TV é inevitável; no exterior, todos os dias uma nova operadora anuncia serviços de IPTV; no Brasil, as três incumbents testam as possibilidades do IPTV, ao mesmo tempo que prospectam novos e possíveis modelos de negócios para a sua oferta. Essas foram algumas das principais questões levantadas hoje, 27, no painel “Experiências e Modelos para IPTV” no Seminário IPTV – As novas oportunidades na distribuição de conteúdo, realizado pela Converge Eventos, em São Paulo.

Com mais de 30 projetos de IPTV no mundo, a Accenture considera inexorável que as operadoras de telecomunicações trilhem esse caminho como meio de substituir a receita declinante de voz, mas destaca que a oferta comercial de IPTV ainda é recente. A perspectiva do segmento de negócio é promissora, avalia Ricardo Distler, da Accenture, citando pesquisa da consultoria, segundo a qual, em 2010 haverá 25 milhões de usuários do serviço, no mundo, e os negócios de IPTV vão gerar receita da ordem de US$ 10 milhões.

Hoje, segundo Distler, ainda não há operações comerciais de porte, a maioria dos provedores está testando o provisionamento do serviço. No que a pesquisa classifica como estágio intermediário (40 a 200 mil assinantes IPTV) estão, por exemplo, a France Télécom e a KDDI; e pouquíssimas como a Free, que opera na França, tem mais de 500 mil usuários.

Desafios

Para a consultoria, são quatro os principais desafios das operadoras de telecomunicações para prover IPTV. O primeiro é responder à pergunta sobre a viabilidade da oferta do serviço sem parcerias. O segundo é relativo à plataforma legada das operadoras que vai exigir investimentos para o provimento de IPTV, além de mudança de foco do seu formato atual de prestação de serviços de telecomunicações. Mais um diz respeito ao conteúdo, diferente do que estão acostumadas a fazer, como a aquisição de direitos, por exemplo. O quarto é pertinente à própria operação, cujo custo também é diferenciado do de telecomunicações e é maior no início, além do modus operandi de suas centrais de atendimento, que terão que lidar com algo novo, que não conhecem.

Em se tratando de um serviço com o qual não têm experiência, para as operadoras algumas questões são “sensíveis”, aponta Distler. Como o custo do setop box e da rede; os preços do pay-per-view (PPV) e do vídeo sob demanda (VOD, da sigla, em inglês); a taxa de de compra desses vídeos; assinatura; custos de conteúdo. “No Brasil, há, ainda, a barreira regulatória. A legislação não prevê a oferta de TV sobre IP, e precisa ser revista. Ainda assim, as operadoras vêm investindo no serviço”, observa o consultor.

Principalmente porque elas precisam compensar as perdas com receita de tráfego em pulsos locais de, no mínimo, 30% e, em alguns casos de até 50 a 60%, que começaram com a migração fixo-móvel; avançaram com a disseminação da banda larga; evoluem com a concorrência, especialmente das operadoras de cabo que começam a oferecer triple play e WiMAX (casos da NET e TVA, respectivamente). Por fim, as operadoras de telecomunicações optam pelo serviço IPTV para reverter este cenário de prejuízos e como parte das estratégias para atender ao cliente de maior poder aquisitivo. “E o mercado financeiro tem precificado iniciativas de reposição de fontes de receita”, conclui Ricardo Distler.

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