Investimentos em TI ainda não estão na agenda da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016


Investimentos em tecnologia da informação podem gerar um legado para as cidades que vão sediar os jogos e alavancar posição do Brasil no mercado de TI. Mas não fazem parte dos planos dos governos.

As tecnologias da informação e da comunicação ainda não fazem parte da agenda da preparação do Brasil para receber a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.Essa é uma das constatações da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), que realiza um trabalho para sensibilizar os governos federal, estaduais e municipais para as oportunidades de investimentos geradas por esses eventos na área de TI. Os investimentos totais a serem realizados para a Copa e para as Olimpíadas são de R$ 57 bilhões, dos quais de 5% a 10% podem ser destinados a sistemas de comunicação e de informação.

As cidades-sede desses eventos já deveriam estar na fase de desenvolvimento de soluções de TI — não apenas para as grandes obras como estádios, metrôs e avenidas, mas também para criar um legado do qual os cidadãos possam usufruir, depois de encerrados os jogos. Investimentos em saúde, trânsito, segurança, bancos de dados e infraestrutura de banda larga precisam ser pensados para receber os atletas, jornalistas e o público, e deveriam ser incluídos na agenda de desenvolvimento dessas cidades. Mas não é o que acontece. “O projeto do estádio do Corinthians, em Itaquera (SP) e a reforma do Maracanã, no Rio, não preveem infraestrutura de TI ou banda larga”, explica Nelson Wortsman, diretor de infraestrutura e convergência digital da Brasscom.

A entidade fez wokshops com representantes do governo estadual e municipal do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, em setembro, e pretende realizar eventos semelhantes em Brasília e em São Paulo. Seu objetivo é sensibilizar os governos para a necessidade de investimentos em TI e a integração, nas etapas de planejamento e implementação das obras, das áreas de TIC, infraestrutura, transporte, Marketing, Mídia, saúde, segurança. “Ainda não há interlocutores preparados para nos ouvir na maior parte das cidades”, constata. Uma das constatações do estudo da AT Kearney é a oportunidade para investimentos públicos e privados nas cidades que serão as sub-sedes da Copa, principalmente de times como a Alemanha, a França, a Inglaterra, que vão precisar de uma infraestrutura de hospedagem, treinamento e comunicação para receber as seleções de futebol e centenas de jornalistas de seus repsectivos países.

Parte do esforço da Brasscom para incentivar os investimentos em TI — e, assim, criar oportunidades de negócios para seus associados — foi encomendar à AT Kearney um estudo para identificar as demandas de TI a serem geradas pelos dois eventos. A pesquisa da AT Kearney foi realizada em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de Brasília, no Distrito Federal. Foi este estudo que calculou em R$ 57 bilhões os investimentos necessários, assim divididos: R$ 33,1 bilhões para a Copa; R$ 24,5 bilhões para as Olimpíadas, R$ 6,5 bilhões nos aeroportos, R$ 7,6 bilhões em projetos de mobilidade urbana, portos e aeroportos no Rio de Janeiro. Isso significa um potencial de investimentos de R$ 3,5 bilhões a R$ 7 bilhões em TI. Hoje, o mercado de TI no Brasil é de US$ 69,1 bilhões por ano.

Para Antônio Carlos Rego Gil, os eventos esportivos são uma grande oportunidade para o país dar um salto nos investimentos em TI. O obejtivo da Brasscom — para isso ela foi criada — é tornar o país um dos grandes fornecedores mundiais de tecnologia. “Nossa meta é chegar a 2020 como um dos três fornecedores globais de outsourcing de TI, atrás da Índia e da China”, diz Gil. “E para isso não se pode pensar pequeno”.

Anterior Telcomp defende realização do leilão da banda H
Próximos Órgão regulador substitui com eficácia conselhos de controle de conteúdo em Portugal