Internet: o acesso móvel vai substituir o fixo?


As operadoras de telefonia celular terão, no curto e médio prazo, um papel fundamental para a massificação do acesso a internet em banda larga. "A questão é se esse serviço será complementar ou se vai substituir os acessos tradicionais com tecnologia fixa",  indagou Eduardo Navarro, diretor de estratégia e desenvolvimento de negócios da Telefónica para …

As operadoras de telefonia celular terão, no curto e médio prazo, um papel fundamental para a massificação do acesso a internet em banda larga. "A questão é se esse serviço será complementar ou se vai substituir os acessos tradicionais com tecnologia fixa",  indagou Eduardo Navarro, diretor de estratégia e desenvolvimento de negócios da Telefónica para a América Latina, durante as discussões do 13º Encontro Tele.Síntese, realizado pela Momento Editorial. Para Navarro, em alguns países, como no Leste europeu, a tendência é que esse novo serviço seja complementar. Em outros países da Europa, no entanto, já se verifica o estancamento da banda larga fixa enquanto crescem os acessos por meio da móvel.
 
Na avaliação do executivo, a menor probabilidade de substituição do acesso tradicional pelo móvel será nos países onde as operadoras já fazem oferta de banda larga de alta velocidade (até 100 Mbps), caso do Japão e da Coréia do Sul. Nesses países, as estimativas de mercado indicam que em 2010 mais de 50% dos acessos sejam por meio da FTTH (fiber to the home). No mesmo ano, os Estados Unidos e alguns países europeus (como Suécia, Holanda e França) devem ter de 15% a 25% dos acessos baseados em FTTH.

"Em dois a três anos teremos uma nova onda de transformação no setor, impulsionada pela telefonia celular", acredita Navarrro. Nesse novo cenário, a forma de se avaliar o retorno do investimento não será tão óbvia, alertou. "As decisões de investimento dependerão muito do marco regulatório e as decisões regulatórias mais eficientes são as que fomentam a competitividade das empresas", afirmou.

300 milhões de usuários

O 13º Encontro Tele.Síntese, que discute as alternativas para massificar a oferta de banda larga no país, contou também com a participação de Jorge Leonel, diretor de consultoria da PromonLogicalis, e de Alvaro Brito, diretor da Alcatel-Lucent.

Jorge Leonel traçou um panorama do mercado de banda larga, que deve atingir este ano 300 milhões de usuários no mundo, a maior parcela na Ásia (China, Japão e Índia).  Nesse cenário, a tecnologia ADSL ainda lidera, com aproximadamente 66% dos acessos, seguida pelo cabo, com 22%, e Fiber To The Home com 11%. "A maior parte dos acessos por meio de FTTH é nos países asiáticos", destacou Leonel, lembrando que as estimativas indicam que, em 2010, as conexões via FTTH chegarão a 40 milhões de usuários, a maior parte no Japão. Leonel ressaltou que embora a Ásia lidere em volume, junto com os Estados Unidos,  os países europeus estão à frente em penetração.

Brito, da Alcatel, focou nos programas de inclusão social, destacando que em algumas tecnologias, como a móvel, a distância entre os países mais desenvolvidos e os menos desenvolvidos está encolhendo. "Mas, no serviço de banda larga ainda existe um GAP", afirmou, citando o caso do Brasil: embora o país tenha atingido 8 milhões de conexões e venha registrando um crescimento de 35% ao ano nos acessos, a penetração de banda larga cobre apenas 4% da população. "E não podemos esquecer que 70% da população do país pertence as classe D e E", ressaltou para mostrar a importância de programas de inclusão social para a massificação da tecnologia nesse mercado.

Brito acredita que a tecnologia já é um fator positivo para a inclusão digital, já que não há mais barreiras de distância, velocidade e os preços de acesso (caso principalmente do DSL) tem caído ano a ano. Mas, é necessário ter um portfólio mais amplo de produtos – deu como exemplo a oferta, por uma operadora, do serviço de internet, junto com o computador e o suporte; e fundamental a oferta de conteúdo e de aplicações, especialmente de e-gov. "No caso do Brasil, não adianta levar banda larga para as escolas, se não tiver o conteúdo", enfatizou.

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