“Internet do espaço” pode servir para fechar lacuna digital na América Latina


Mesmo na sociedade globalmente conectada – em que novos dispositivos móveis são lançados anualmente e as mídias sociais continuam a crescer exponencialmente – cerca de 3,4 bilhões de pessoas ainda não estão conectadas à internet, número que representa 45% da população global, segundo dados do 2018 Q4 Global Digital Statshot.

Sob essa luz, os governos estão avaliando como alcançar os desconectados em suas regiões, e entre as soluções mais discutidas está a internet por satélite. A internet por satélite ganhou popularidade nos últimos anos, com o desenvolvimento de novos satélites de alta capacidade que não enfrentam os mesmos desafios de investimento e infraestrutura que as alternativas terrestres. Os satélites podem oferecer internet rápida e acessível, alcançando todos os cantos de um país. Muitas instituições governamentais e privadas estão investindo fortemente em trazer tecnologias de satélite para áreas remotas.

Desta forma, diferentes governos estão avaliando como integrar os desconectados em suas regiões, e entre as soluções mais discutidas está a internet por meio de comunicação via satélite. O satélite ganhou popularidade nos últimos anos, já que os novos satélites de alta capacidade foram desenvolvidos para que não enfrentem os mesmos desafios de investimento e infraestrutura de suas alternativas terrestres. Eles oferecem uma internet rápida e acessível atingindo todos os cantos do país. Muitas instituições governamentais e privadas estão investindo fortemente em trazer tecnologias satelitais para áreas remotas.

Mesmo nos EUA – país considerado altamente tecnológico – ainda existe uma lacuna digital com milhões de americanos não conectados, especialmente nas áreas rurais. Como essas áreas remotas e rurais geralmente estão em desvantagem econômica, são comuns parcerias entre o governo e empresas privadas para conectar estas regiões. Tanto que o provedor de comunicações globais, Viasat, recebeu recentemente mais de 120 milhões de dólares do governo americano para ajuda no fornecimento de serviços avançados de banda larga residencial via satélite em mais de 20 estados americanos.

Na América Latina, a disparidade é especialmente grande entre as capitais e outras grandes áreas urbanas altamente conectadas e as pequenas cidades, vilarejos e comunidades em lugares distantes, onde as conexões de dados existem apenas por telefonia, quando disponíveis. Estima-se que, atualmente, cerca de um terço da população latino-americana esteja desconectada.

O Brasil tem a oportunidade de estar 100% conectado

Trazer serviços de internet de banda larga para os cidadãos é de grande interesse para o governo brasileiro. Muitos dos 207 milhões de brasileiros vivem longe dos grandes centros populacionais, onde a internet é altamente concentrada. Em vez disso, eles vivem e trabalham em locais onde não é economicamente viável para os provedores de serviços de internet a cabo ou fibra construírem e investirem na infraestrutura necessária para conectar o local à internet. Atualmente, 34% da população, ou 63,4 milhões de brasileiros, não têm qualquer conexão à internet, segundo dados do IBGE.

O Governo Federal – por meio de dois programas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC): Internet para Todos e Gesac – ajudará os brasileiros, em todos os lugares, a se unirem à comunidade digital. O objetivo de ambos os programas é de conectar todos os brasileiros de vilarejos, comunidades e municípios aos postos de saúde, escolas e outras serviços essenciais.

Para isso, foi formada uma parceria entre a Telebras e a Viasat, na qual a Viasat fornecerá à Telebras uma rede terrestre para conectar o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-1), de propriedade da empresa estatal. Sem o equipamento da Viasat, a comunicação civil com o satélite não é possível. Isso inclui os equipamentos avançados de banda base instalados nos teleportos e nas antenas da Telebras, modens e roteadores instalados no local de cada usuário final.

O satélite SGDC-1 da Telebras tem a oportunidade de levar internet via satélite de alta velocidade e alta qualidade para escolas, hospitais, centros de saúde e outras entidades públicas por meio do programa Gesac, além de ajudar a atender os mais de três mil municípios inscritos no programa Internet para Todos.

Satélite fazendo a diferença

Para oferecer o serviço de internet por meio do SGDC-1 para os brasileiros desconectados, a Telebras fechou uma parceria com a Viasat, companhia global de satélites. A Viasat fornece serviços de internet ao redor do mundo, com milhares de assinantes na América do Norte. Seu satélite mais recente, o ViaSat-2 também serve para fornecer acesso à internet em áreas do México que anteriormente não tinham conectividade. Em acordo com um parceiro local, a Viasat instalou milhares de hotspots de Wi-Fi Comunitário em comunidades mexicanas remotas, oferecendo à população local sua primeira conexão de internet de alta velocidade e alta qualidade, que podem usar para transmitir vídeos, navegar na web, acessar mídias sociais e conectar vários dispositivos de uma só vez.

Uma dessas comunidades é uma pequena vila nos arredores de Guadalajara, com cerca de 400 moradores conectados pela primeira vez em 2018. Antes disso, muitos precisavam viajar de carro para receber sinais de dados nas cidades vizinhas. Agora, os alunos podem ficar em suas comunidades para fazer o trabalho escolar com uma conexão de alta velocidade a preços acessíveis, além de poder ligar para familiares vivendo em outros estados ou países, trabalhar com e-commerce e até acessar a telemedicina, entre outros benefícios.

Primeiros sinais da enorme capacidade de conectar o Brasil via satélite

Em 2 de abril de 2018, no pequeno município de Pacaraima, na divisa entre Roraima e Venezuela, todos os olhares estavam voltados para a cidade, que possui cerca de 12 mil habitantes. Pacaraima foi o primeiro local a instalar antenas da parceria entre a Telebras e a Viasat. E nesse dia, os alunos da Escola Municipal Casimiro de Abreu conseguiram se conectar à internet pela primeira vez. Da mesma forma, o posto de fronteira, crítico na área, teve sua experiência inaugural, conectando-se à internet. A nova conexão de banda larga forneceu aos funcionários do governo uma oportunidade de responder a questões humanitárias críticas associadas aos refugiados venezuelanos que chegam ao país.

Além desses locais, espera-se que outras milhares de áreas remotas estejam conectadas a partir de 2019 no âmbito do programa Gesac. Destes, cerca de 80% serão escolas, hospitais, postos de saúde, postos de fronteira e reservas indígenas, entre outros serviços públicos. O projeto, que chegou a ser paralisado por conta de disputas judiciais ao longo de 2018, já teve sua legalidade aprovada por decisão do Tribunal de Contas da União e agora aguarda uma revisão do contrato entre a Viasat e a Telebras para ser retomado.

“Ao trazer conectividade a locais remotos, estamos trazendo novas oportunidades para as pessoas participarem, compartilharem e se engajarem em uma sociedade global”, afirma Lisa Scalpone, vice-presidente e gerente geral da Viasat do Brasil. “No passado, as cidades foram desenvolvidas conectando-se a rios e rotas comerciais, hoje elas são desenvolvidas conectando-se à internet de alta qualidade.”

Viasat: a empresa que quer conectar o mundo

A Viasat é uma empresa global de comunicações que acredita que tudo e todos no mundo podem ser conectados. Por mais de 30 anos, a empresa ajudou a moldar como consumidores, empresas e governos em todo o mundo se comunicam. Com quase 5.500 funcionários em mais de 30 escritórios globalmente, a Viasat é focada em conectar o mundo com suas tecnologias de satélite e Wi-Fi.

Atualmente, a Viasat está desenvolvendo a mais moderna rede global de comunicações usando seus próprios satélites – que a empresa projeta e agora também constrói, além de sua rede global de hotspots Wi-Fi. Os satélites da Viasat são reconhecidos como algumas das mais avançadas tecnologias espaciais de comunicações do mundo, e atualmente a empresa possui cinco satélites de alta capacidade em órbita, conectando grande parte do hemisfério norte à comunidade digital. A partir de 2020, a companhia lançará sua constelação ViaSat-3, que é composta por três satélites de alta capacidade, cada um oferecendo mais de 1 Terabit por segundo (Tbps) de capacidade de rede. Com essa capacidade, a Viasat poderá conectar todos os cantos do mundo.

Anterior Senacon quer foco na ‘desjudicialização’ das relações de consumo
Próximos Quatro operadoras no leilão da 5G da Alemanha