Algumas das soluções IoT  mostradas no MWC 2017: salva-vidas, medidor de água inteligente, semáfor, casaco para montanhistas e equipes de resgate.

Algumas das soluções IoT mostradas no MWC 2017: salva-vidas, medidor de água inteligente, semáfor, casaco para montanhistas e equipes de resgate.

Barcelona* – A internet das coisas ganhou o empurrão que faltava para se tornar um negócio rentável para as operadoras de todo o mundo, deixou de ser uma aposta e agora é realidade para as operadoras mundo afora. Não faltam exemplos de companhias que concluíram projetos-pilotos realizados na segunda metade de 2016 e pretendem lançar produtos no segmento neste ano.

A GSMA, associação mundial das operadoras móveis, estima que até o final de março haverá 55 redes no mundo preparadas para lançamento comercial de serviços IoT usando a padronização LPWA, que prevê baixo consumo de energia e ampla área de cobertura. Entre elas estão Telefónica, na Espanha; Vodafone, na Europa; KT Group, na Coreia do Sul; Verizon, nos Estados Unidos; Deutsche Telekom, na Alemanha.

A Telefónica conclui a ativação de sua rede IoT em toda a Espanha até o terceiro trimestre, e pretende lançar até o final do ano um serviço em Santiago, no Chile, onde iniciou testes este ano. A companhia aposta no NB-IoT como padrão definitivo para a internet das coisas, especialmente para a oferta de serviços de smart cities às prefeituras. Mas sua rede também é prepara para conexões em LTE-M.

“Nosso foco será atender tanto o consumidor final, com wearables, como o mercado de utilities (medidores inteligentes de água e gás), indústria e rastreamento”, conta Andreas Padilla, diretor de novos negócios em IoT da Telefónica. O investimento, segundo ele, foi feito na aquisição de dispositivos, na atualização das ERBs e na montagem de um núcleo de rede IoT sobre a rede móvel LTE. Segundo ele, as ofertas serão com modelo fim a fim, com a operadora entregando tanto os dispositivos, quanto a rede e soluções para gerenciamento dos serviços, analytics etc.

A Vodafone é outra operadora pronta para mergulhar na IoT. A empresa fez um piloto na cidade espanhola de Aguas Valencia, em que instalou sensores no sistema de águas. Acrescentou a sua rede LTE sistemas para transmissão IP dos dados dos sensores, fez um núcleo de rede dedicado à IoT em Madrid, no centro do país, que faz o link ao servidor das aplicações. Do piloto, passou à iniciativa comercial em seis cidades neste mês: Sevilha, Málaga, Madri, Valência, Bilbao e Barcelona. Também lançou rede para coisas na Irlanda, com technologia NB-IoT, nesta semana. Até o final do ano, expande para Holanda e Turquia.

“A diversidade de casos de uso é enorme. Nós, operadoras, sequer arranhamos a superfície das possibilidades”, opina Luke Ibbetson, engenheiro-chefe da Vodafone e presidente do GSMA NB-IoT Forum. Segundo ele, a receita com IoT do grupo cresceu 29% em 2016, ano que a empresa já terminou com 50 milhões de dispositivos conectados.

Na Coreia do Sul, a IoT também já está bem encaminhada. June-Keun Kim, vice-presidente sênior da divisão GiGA IoT da operadora KT, conta em abril inicia as ofertas de serviços em redes LTE-M e NB-IoT, em Seul. O resto do país erá os serviços NB-IoT até junho. “O plano é vender não só conectividade, mas também pacote com plataforma de data analytics e aplicações”, diz.

A operadora desenvolveu um casaco para ser usado por montanhistas, que permanece ligado à internet mesmo em áreas onde não há cobertura móvel de telefone celular e um salva-vidas para marinheiros. No caso marinho, criou também uma antena especial, capaz de propagar os sinais móveis por 200 Km oceano pacífico afora. Outros serviços que serão oferecidos são de rastreamento de bolsas de sangue, com sensores que verificam se o plasma foi transportado na temperatura adequada; e um sistema de monitoramento da qualidade do ar, capaz de fazer medições em altitudes diferentes, e inclusive em ambientes fechados e no sub-solo.

A Verizon vai lançar sua rede nos Estados Unidos até o final deste trimestre, prometeu Christopher Schmidt, diretor de tecnologia de aparelhos da operadora. Ele não quis entrar em detalhes sobre quais serviços terá. Diferente de Alexander Lautz, vice-presidente sênior de M2M da Deutsche Telekom. Ele conta que sua rede IoT começa a operar comercialmente no segundo trimestre na Alemanha e na Holanda, tendo como oferta produtos em estacionamento, iluminação pública, águas e medidores de todo tipo. “No resto do ano, cidades escolhidas de outros seis países da Europa também terão a rede”, conta.

O motivo de tantas realizarem o mesmo movimento neste ano de 2017 é o timing da padronização das tecnologias. O LPWA, padrão no qual se encaixam as tecnologias NB-IoT e LTE-M, foi definido em junho do ano passado pela 3GPP, entidade técnica do setor. Dali a dezembro, aconteceram inúmeros pilotos, bem-sucedidos, que demonstraram a viabilidade das definições. Graças a isso a GSMA estima que a quantidade de aparelhos conectados à internet das coisas vai passar das estimadas 500 milhões e, 2016, para 5 bilhões em 2025. Desse total, 3 bilhões dentro do padrão.

*O jornalista viajou a convite da FS