Intel quer o WiMAX na 2,5 GHz, sem exclusividade.


Para a indústria, a decisão da Anatel em relação a destinação da faixa de frequência de 2,5 GHz, seja ela qual for, deve conferir à operadora a maior flexibilidade possível para que as demandas do mercado sejam atendidas, e oferecer neutralidade tecnológica. “Toda faixa deve ter mobilidade, mas há uma segunda questão importante, que é …

Para a indústria, a decisão da Anatel em relação a destinação da faixa de frequência de 2,5 GHz, seja ela qual for, deve conferir à operadora a maior flexibilidade possível para que as demandas do mercado sejam atendidas, e oferecer neutralidade tecnológica. “Toda faixa deve ter mobilidade, mas há uma segunda questão importante, que é a neutralidade de tecnologia. Apesar de a Intel ter interesse no WiMAX, defendemos que as faixas sejam livres para que as operadoras decidam o que fazer”, diz Emílio Loures, gerente de novas tecnologias da Intel e responsável por questões regulatórias envolvendo WiMAX. A destinação da faixa de frequência de 2,5 GHz, hoje ocupada pela TV paga por MMDS (micro-ondas) estava na pauta da reunião deliberativa do conselho diretor da Anatel de hoje, mas o tema acabou sendo retirado de pauta, para maior estudo pela área técnica.

A Intel, diz Loures, vê com bons olhos a mobilidade para a faixa de 2,5 GHz, mas entende que com a ocupação do 2,5 GHz exclusivamente para celulares não é a melhor das alternativas. A proposta da área técnica da Anatel, de retirar 80 MHz dos atuais 190 MHz que estão disponíveis para o MMDS e reservá-los para a quarta geração da telefonia celular (LTE), não obteve consenso da maioria dos conselheiros, que preferiram adiar o debate para depois. Segundo fontes, há uma tendência de a Anatel reservar as frequências ocupadas pelo MMDS para a LTE. Se isto acontecer, o mercado vai perder muito do que pode oferecer, na avaliação de Loures. “Há uma demanda grande por inclusão digital, serviços de maior banda e se fechar a 2,5 GHz até uma determinada data, quando uma determinada tecnologia vai estar pronta, a gente perde, a maior parte dos municípios brasileiros não têm nada em 2,5 GHz”, comenta o especialista.

Loures esclarece que é contra fechar essa faixa tanto para o LTE quanto para o WiMAX e cita como exemplo os mercados onde essa questão evoluiu mais, como na Ásia, onde a Coréia tem soluções de WiMAX em 2,3 GHz e 2,5 GHz. “A Coréia Telecom tem serviço operacional nessa faixa e, nos Estados Unidos, operadoras de grande porte como a Sprint e a Clearware lançaram, no ano passado, as redes; no Japão, a KDDI está oferecendo serviços com componente forte de dados, enfim, são experiências nas quais o WiMAX se destaca”, exemplifica.

Mesmo no Brasil, acrescenta ele, as experiência com a tecnologia WiMAX, envolvendo vários fabricantes, mostraram bons resultados, com mobilidade, portabilidade, grande diferencial em dados. “Há uma demanda forte pelo serviço de vídeo e temos um ecossistema pronto e disponível em 2,5 GHz e em 3,5 GHz”, comenta o executivo da Intel. A TVA foi pioneira em fazer um piloto com WiMAX e, mais recentemente, a Telefônica iniciou seu trial. Entre outros, estão envolvidos nos projetos pilotos a Motorola, Samsung, Nortel, e a Cisco, que adquiriu a Navine.

Para a indústria, uma decisão da Anatel favorável ao WiMAX abriria uma possibilidade nova de negócios, em época de crise. “Qualquer possibilidade nova é importante para a indústria, ainda mais no cenário que estamos vivendo”, destaca.

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