Intel quer crescer 25 anos em cinco, no Brasil.


Quando profissionais da Intel no Brasil apresentaram seu plano estratégico para o país na sede da companhia, há cerca de 18 meses, o presidente mundial da empresa, Paul Otellini, observou. “O Brasil está chegando ao mesmo ponto de inflexão em que estava a China, há dez anos”. No ano passado, de acordo com a IDC, o país foi o terceiro maior mercado de PCs do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos, com 15,4 milhões de unidades vendidas, ou 12% a mais do que no ano anterior. No mesmo ano, o PIB do Brasil cresceu apenas 2,7%.

Esse crescimento de dois dígitos do mercado de tecnologias da informação e das comunicações (TICs), mais uma avaliação do potencial do mercado local, fez a Intel anunciar, hoje, a meta de ampliar suas atividades e investimentos no país. Nos próximos cinco anos, a empresa deseja crescer tanto quanto cresceu no Brasil nos últimos 25 anos, desde que se instalou aqui. A Intel não divulga números de investimento. Mas diversos anúncios realizados durante o Intel Developer Forum (IDF 2012) realizado ontem e hoje em São Paulo, são, dizem os executivos da empresa, a melhor expressão de que esta meta está sendo seriamente considerada.

Ontem, a Intel anunciou que, até o final do ano, 11 fabricantes estarão produzindo mais de 20 diferentes modelos de seus notebooks ultrafinos no país, os Ultrabooks. Até o final do ano, prevê a empresa, haverá Ultrabooks com preço de tabela (do fabricantes para o varejo) menor de R$ 2 mil. Hoje foi a vez do anúncio da venda de 156 mil unidades do Intel Classmate PC para o projeto Aluno Conectado, do governo de Pernambuco, que vai distribuir os equipamentos a alunos do segundo e terceiro ano do Ensino Médio.

Hoje, a Intel anunciou um acordo em que o Banco do Brasil vai se tornar a primeira instituição financeira a usar a tecnologia de segurança Identity Protection Technology (IPT), embarcada, desde março, nos computadores com chips linha Core. A área de segurança do banco está criando uma solução proprietária baseada no Intel IPT, a ser implementada a partir da segunda metade de 2013.

Laboratórios para universidades

A empresa também anunciou um acordo de doação de laboratórios para a Unicamp, a USP e a UFMG. As três universidades brasileiras vão receber, cada uma, laboratórios com 20 sistemas embarcados com o processador Intel Atom, além de ferramentas para a criação de soluções com sensores, RFID, criptografia e segurança da informação. Anunciou a criação de quatro novas comunidades locais de desenvolvimento de software. E mais conteúdo em português e online, além de treinamento, em tecnologias como Intel vPro, Android, servidores e computação paralela. O número de funcionários do grupo de Software e Serviços (SSG) no Brasil foi quadruplicado no último ano.

A Intel acredita que está alinhada com as necessidades do país e fundamentou seu plano de crescimento em três pilares: infraestrutura (mercado de PCs e servidores), novos dispositivos conectados (tablets, smartphones, soluções embarcadas) e inovação/novas oportunidades (mercado de educação, inclusão digital, desenvolvimento de software, venture capital e soluções inovadoras para setores como transporte e energia). Vê uma Copa do Mundo e vê Jogos Olímpicos pela frente. Enxerga os dois dígitos de crescimento anual do mercado de TICs no Brasil (cujo faturamento é calculado em US$ 102,6 bilhões, em pesquisa divulgada ontem pela Brasscom). E assim conclui que pode crescer, no Brasil, 25 anos em cinco.

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