Instabilidade no Brasil não afugenta investimentos, segundo CEO da Prysmian na AL


A instabilidade econômica e política vista no Brasil nos últimos anos preocupam o comando da fabricante de cabos Prysmian, no entanto não são suficientes para inibir investimentos no mercado local, de acordo com o CEO da empresa para a América Latina, Juan Mogollon.

A empresa anunciou hoje a conclusão da reestruturação de unidades no Brasil, onde nos últimos anos fechou planta em Santo André, mas adicionou unidade fabril para o setor de energia em Minas Gerais e ampliou a unidade de Sorocaba, onde produz pre-formas para fibra óptica, fibra óptica e cabos ópticos.

“Estamos preparados, porém um pouco preocupados”, falou hoje, 10, na inauguração da nova sede para a região, que fica em Sorocaba (foto), no interior paulista. A construção, que se deu juntamente com a expansão da capacidade de produção da linha de cabos ópticos, consumiu R$ 150 milhões.

O CEO global da companhia, o italiano Valerio Battista, explicou que, em 90 anos de Brasil, a empresa se acostumou aos altos e baixos tanto da economia, quanto na política. A empresa chegou ao país, ainda como Pirelli, em 1929. Atravessou ditaduras, governos ora mais abertos, ora mais fechados.

“Turbulências afugentam indústrias, mas nós temos experiência de muitos anos nisso. Na Argentina, por exemplo, nossos competidores estão saindo ou pretendem sair. Nós vamos ficar. Mais cedo ou mais tarde, a estabilidade volta. O Brasil passou os últimos três aos instáveis, mas vai retornar. Temos a capacidade de sobreviver, e quando a tempestade acaba, o mercado é ótimo”, afirmou o executivo.

ISPs e benefícios

O motivo para a sobrevivência está mais no perfil do negócio do que na política. A empresa busca desenvolver localmente produtos para segmentos em franca expansão. Assim, caso o setor da construção civil encolha, compensa-se com telecomunicações.

As bolas da vez são cabos para energia solar e comunicações ópticas. A empresa é a única a produzir pré-forma no Brasil, e compete em market share de cabos ópticos com a Furukawa, de origem japonesa. Hoje, telecomunicações representam entre 20% e 25% das receitas brasileiras da Prysmian, que em 2018 somaram R$ 1,9 bilhão.

As vendas em telecomunicações são puxadas pelo avanço dos provedores regionais de banda larga fixa, os ISPs. A Prysmian diz que nos últimos cinco anos eles saltaram de traço para quase metade das aquisições de fibra. O restante permanece nas mãos das grandes operadoras, em especial, Oi e Vivo.

“O Brasil tem um dos maiores gaps de casas sem banda larga, gap este que está sendo fechado pelos ISPs. As oscilações políticas podem ter algum impacto no ritmo de crescimento, que deixará de ser de 100% ao ano, para ser de 20%, por exemplo. Ainda assim, será muito maior que o crescimento médio do país”, afirmou Mogollon.

Também há forte expectativa com a 5G, que embora ainda demore dois a três anos para chegar ao país, exigirá imensas quantidades de fibra. “Não tem rede, não tem fibra suficiente para a demanda existente prevista. As vendas de fibra não vão crescer para sempre, mas vão durar ainda alguns anos”, resume Battista.

A unidade de Sorocaba, após a expansão de 25% que será concluída em setembro, será capaz de produzir 2,5 milhões de quilômetros de fibra.

A perspectiva de crescimento do mercado brasileiro leva os executivos a afirmarem que, embora a revisão de PPBs, o levantamento de tarifas de importação de bens de capital e de tecnologia, bem como das tarifas de importação, não assustam. “Usamos, mas não dependemos dos benefícios, diferente de alguns de nossos concorrentes”, provoca Mogollon. Segundo ele, a empresa se adaptará às regras, buscando manter a competitividade e preservando os investimentos locais. A ideia, fala, é que o Grupo fique pelo menos mais 90 anos no país.

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