Informatização das escolas rurais: o grande desafio é a conectividade.


Em quatro anos, o Ministério da Educação vai investir cerca de R$ 267 milhões para informatizar 45 mil escolas rurais, ou seja, 60% do total. Trata-se de um dos mais complexos projetos de melhoria do ensino público com apoio das tecnologias de informação e comunicações. Para este ano, estão reservados R$ 88 milhões para a …

Em quatro anos, o Ministério da Educação vai investir cerca de R$ 267 milhões para informatizar 45 mil escolas rurais, ou seja, 60% do total. Trata-se de um dos mais complexos projetos de melhoria do ensino público com apoio das tecnologias de informação e comunicações. Para este ano, estão reservados R$ 88 milhões para a aquisição dos equipamentos que serão instalados, no ano que vem, nas escolas rurais de 5ª a 8ª séries, com mais de 50 alunos matriculados. Isso significa que 11.927 escolas rurais do país irão contar, até 2008, com laboratórios de informática.

Mas o grande desafio, reconhece Ronaldo Mota, secretário de ensino à distância do MEC, será conectar essas escolas à internet. Ele lembra que os custos da conexão via satélite são inviáveis de serem arcados exclusivamente pelo MEC. Se se tomar como exemplo os custos das antenas Gesac — de R$ 400,00 mês, segundo estimativas daquele ministério — seriam gastos R$ 5 milhões/ mês ou R$ 60 milhões/ano só para conectar essas quase 12 mil escolas rurais.

Por isso, o MEC está conversando com os demais órgãos do governo — entre eles, os ministérios das Comunicações e do Planejamento — para buscar uma solução capaz de assegurar a conectividade a essas escolas. Segundo Ronaldo Mota, algumas alternativas estão em análise. Entre elas, a de usar a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), juntamente com as soluções wireless (como WiMAX). Ele reconhece, porém, que a RNP não teria a capilaridade necessária, mas acredita que, com mais recursos, poderia vir a tê-la.

Mota está convencido de que, qualquer que seja a tecnologia, a melhor alternativa para a inclusão digital é mesmo a instalação de conexão em banda larga nas escolas. “Nossos estudos mostram que, ao se instalar a banda larga nas escolas públicas, alcança-se, também, os postos de saúde e da previdência social das localidades,” assegura. Mas onde buscar os recursos? Segundo o secretário, duas seriam as principais fontes em análise: recursos orçamentários através do PPI (Projeto Piloto de Investimentos) — os projetos que poderão contar com investimentos do governo sem que sejam incluídos no cálculo do superávit primário (estima-se que haverá, para este ano, R$ 12 bilhões) — e os recursos do Fust.

Embora só estejam previstos, no orçamento deste ano, R$ 9,5 milhões para o Fust, o secretário de telecomunicações do Minicom, Roberto Pinto Martins, lembra que a própria lei orçamentária estabelece que os recursos origino nários das taxas cobradas sob a forma de Cide (contribuição de intervenção sobre o domínio econômico) podem ser liberadas para seu uso por decreto presidencial. E, por isso, espera-se que um decreto direcione os mais de R$ 700 milhões que se pretende arrecadar este ano com o Fust para os projetos de inclusão digital. Mas, gato escaldado, Mota lembra que, no período de 2001 a 2003, o Proinfo do MEC não instalou um único computador, porque ficou aguardando pelo dinheiro do Fust, que nunca chegou. E por isso, afirma, o Proinfo Rural irá acontecer, mesmo se não puder contar com a conexão à internet.

Por que as escolas rurais?

Só este ano o MEC vai conseguir universalizar os laboratórios de informática em todas as 16 mil escolas de ensino médio do país. E existem muitas escolas urbanas de 1ª a 8ª séries ainda sem computador. Por que, então, a opção pelas escolas rurais, a maioria das quais não tem nem telefone e muitas sequer contam com energia elétrica? “O morador da zona rural, se não tiver contato digital na escola, não o terá em nenhum outro lugar. E não podemos permitir o aumento da injustiça social, com o crescimento daqueles que não têm acesso ao conhecimento da sociedade contemporânea.”

Para levar o conhecimento digital ao mundo rural, o MEC adaptou os novos laboratórios a serem adquiridos. Haverá apenas um desktop interligando de cinco a dez terminais autônomos. Além disso, um único equipamento vai reunir as funcionalidades de aterramento, estabilização de tensão, filtro contra ruídos e transformador de voltagem, de maneira a fazer com que os laboratórios se adequem ao pequeno dimensionamento  das redes elétricas dessas escolas.

Mesmo que as escolas não contem com conexão à internet, o acesso ao conteúdo não será problema. Ele estará disponível no servidor local ou em mídias como CDs, DVDs e pen drives. São obras de domínio público (o MEC cadastra, por mês, cerca de 3 mil obras) e mais de mil horas de programação da TV Escola.

Mota salienta que a sua secretaria destina, hoje, mais recursos para a produção de conteúdo digital do que para a compra de equipamentos. Em três anos, a secretaria de educação à distância saiu de um orçamento de R$ 50 milhões para R$ 500 milhões. “Há dois anos, não teríamos condições de tocar esse programa, pois não havia conteúdo suficiente. Agora, a realidade é outra”, assinala.

Anterior Justiça espera explicações da Anatel sobre Way Brasil até o dia 25
Próximos Sardenberg aceita convite para Anatel e indicação segue para Congresso em fevereiro