Infinera aposta na convergência entre operadoras e OTTs


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O chip fotônico da Infinera, em sua quarta geração, alcança capacidade de processamento de 2,4 Tbps.

 

A fabricante de sistemas ópticos Infinera é relativamente nova no Brasil. A empresa construiu redes por aqui há cerca de cinco anos, quando foi contratada pela Telefónica para aumentar a capacidade e dar sobrevida ao cabo submarino SAM-1, lançado em 2000, e hoje pertencente à Telxius.

Agora, a fabricante espera ampliar a gama de clientes no país. Segundo Andres Madero, diretor de desenvolvimento de negócios e arquitetura para a América Latina da Infinera, as oportunidades no país são grandes, mesmo diante de um cenário macroeconômico ainda imprevisível.

“Muitos se perguntam se vale a pena entrar em um mercado em crise. Para a Infinera, sim, exatamente porque nesse tipo de mercado os prestadores de serviço precisam das ferramentas mais eficientes”, diz. A Inifinera é dona de patentes em torno de soluções fotônicas modulares, capazes de ter a capacidade de uma rede multiplicada com a adição de novos componentes. “Dessa forma, o provedor consegue ampliar a banda conforme a demanda”.

A grande aposta reside no movimento de convergência. A empresa cresce ano a ano fornecendo sistemas para iluminar redes ópticas em longhaul, backhaul, cabos submarinos e redes compactas de data centers. Atende, assim, operadoras nas redes metropolitanas e nas conexões internacionais, ao mesmo tempo em que cria a capacidade de banda nos data centers das OTTs.

“ICPs [internet content providers] e ISPs [provedores de acessos] serão segmentos diferentes de mercado. Mas o interessante é que eles estão convergindo, se unindo para fazer negócios, ao mesmo tempo em que estão competindo. E nós vendemos para ambos”, ressalta Madero.

Novas redes
Este perfil de atuação é novo na Inifinera. A empresa, tradicionalmente, desenvolvia tecnologia para iluminar cabos submarinos. Em 2015, quando comprou a sueca Transmode, especializada em redes ópticas metropolitanas, abriu o leque de negócios. A aquisição a colocou na disputa pelo mercado móvel também, uma vez que as tecnologias metropolitanas servem par iluminar estações radiobase, além de sistemas FTTH e FTTC.

A empresa se orgulha de ser a única ter um chip fotônico de 2,4 Tbps feito de fosfato, em vez do tradicional silício. O equipamento é capaz de processar supercanais ópticos e distribuir sinais de luz por 12 mil km de distância, consumindo menos energia e ocupando, diz a empresa, menos espaço que equipamentos tradicionais.

Com a compra da Transmode, conseguiu adequar o equipamento para redes compactas e backhaul. Fora dos data centers, acredita que a solução vai atender em cheio a necessidade das operadoras, que precisam de largura de banda cada vez maior nas estações radiobase. “O sistema é preparado para o 4G, já pronto para ser escalado para a 5G”, garante o executivo.

Brasil
Embora a empresa seja relativamente nova no mercado local, já aprendeu que o Brasil e a América Latina têm particularidades não vistas nos Estados Unidos (seu principal mercado) ou Europa. “Há aqui e na Latam casos de roubo de fibra confudida com cobre, de corte de fibra pensando que será possível revender. Ao mesmo tempo fazer uma infra subterrânea é difícil. Então a instalação de fibra é um desafio”, ressalta.

Desafios esses que tendem a ser superados com a expansão da malha óptica. O Brasil é hoje o terceiro principal mercado da empresa na América Latina, mas se tornará o principal até 2020. “É um mercado estratégico. Vocês têm muitas operadoras competindo. Todos querem estar aqui. Está crescendo rápido em demanda por telecomunicações, e não vai parar. Mas os investimentos vão diminuir pois as empresas estão mais cautelosas, e aí entramos, com mais efciência”, reforça.

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