Indústria vê com bons olhos junção de ministérios


(Crédito: Shutterstock Gwoeii)
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Se para entidades que representam o setor científico e movimentos em defesa da democratização das comunicações a absorção do Ministério das Comunicações pelo da Ciência Tecnologia e Inovação é encarada como um problema, há setores que se mostraram satisfeitos com a medida.

Na Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee) a medida é bem-vinda e faz parte de projeto do segmento industrial. “A redução do número de ministérios está inserida nas ações propostas pela indústria e apresentadas ao Presidente Michel Temer pela CNI”, afirma a entidade. As propostas da confederação são no sentido de enxugar o Estado brasileiro.

“O importante é que os temas fundamentais para a indústria, especificamente para o setor eletroeletrônico, sejam devidamente tratados nas novas pastas, e que o diálogo seja preservado no novo governo”, completa. A Abinee se junta ao coro formado por Fiesp e CNI na cobrança por ajustes de baixo impacto fiscal como solução para reaquecer a economia. Entre as medidas, sugere “ampliação gradual do prazo de pagamento de impostos; valorização da negociação coletiva com força de lei; redução do depósito compulsório para ampliar o crédito aos consumidores e empresas; restabelecimento do Reintegra com alíquota de 3% e implementação de mecanismos de controle de gastos públicos (fixação de teto)”.

A Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) vêm como natural a junção das pastas. “Há órgãos que ganham força com isso. O INTI vai para o novo ministério. Vai juntar sob uma mesma batuta RNP, Telebras, Finep. Faz todo sentido. Não se pode ter áreas de tecnologia falando línguas diferentes”, diz.

Sua única objeção seria a ida da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para o Itamaraty, agora comandado por José Serra (PSDB-SP). Até ontem, a agência era ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. “Ali, a Apex pode sofrer influência da agenda da política externa, em vez de ter foco no desenvolvimento. Há a possibilidade não serem as mesmas agendas, embora faça sentido por se tratar de órgão que trabalha com a relação do Brasil com o exterior”, comenta.

Para a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), a união levanta dúvidas, mas tem pontos positivos. “Por um lado, a gente entende que deixar de ter uma pasta exclusiva pode fazer os temas, como o da inclusão e universalização, ficar diluído numa pasta maior. Por outro lado, sempre quisemos estar mais perto das políticas de inovação, então estar na mesma pasta vai forçar uma interação maior, o que é um ponto positivo”, avalia Erich Rodrigues, presidente da entidade.

Com a bandeira histórica que colocar os provedores regionais à frente da universalização da banda larga no país, a Abrint vê o programa Brasil Inteligente, lançado ainda nesta semana, sob risco de evaporar. Ele lembra que a associação negocia há dois anos com o governo a criação de um fundo de aval que permita aos pequenos provedores tomar empréstimos nos bancos para ampliar suas redes. “Isso foi anunciado pelo governo Dilma, mas não constou do decreto do Brasil Inteligente. Estamos incrédulos”, diz.

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