Indústria eletroeletrônica patina no segundo trimestre e registra crescimento zero


Para a indústria do setor eletroeletrônico, o segundo trimestre do ano foi um trimestre perdido. Levantamento feito pela Abinee e divulgado hoje (13) mostra que todos os segmentos tiveram um desempenho pior do que no primeiro trimestre, a maioria também com recuo em relação aos números registrados em igual período de 2013. O único segmento que cresceu no segundo trimestre foi o de telecomunicações, graças às vendas de smartphones.

A entrevista coletiva convocada pela entidade para divulgar os números foi cancelada pelo seu presidente, Henrique Barbato, em função da morte do ex-governador Eduardo Campos, candidato a presidente pelo PSB. “Não há clima hoje para se fazer comentários sobre dados econômicos”, justificou-se ele. Com o fraco desempenho do segundo trimestre, técnicos da entidade esperam um crescimento para o setor no ano de apenas 3%, com faturamento de R$ 161,8 bilhões.

Dos oito segmentos industriais analisados pela Abinee, só apresentaram desempenho positivo no semestre, com crescimento das vendas, os de automação industrial (+11%), equipamentos industriais (+11%), material de instalação (+2%), telecom (+7%) e utilidades domésticas (+19%). Mesmo assim, à exceção do segmento de telecom, todos tiveram um segundo trimestre pior do que o primeiro.

Dos segmentos com resultado negativo em relação ao primeiro semestre do ano anterior estão o de componentes (-4%) e o de informática (-12%). Este foi o que apresentou maior queda. Houve um recuo de 33% nas vendas de desktops e de 22% nas de notebooks. As vendas de tablets cresceram 21% no semestre: no primeiro trimestre registraram expansão de 47%, mas empacaram no segundo trimestre (+1%). No semestre, foram vendidos 2,031 milhões de desktops, 3,079 milhões de notebooks e 4,158 milhões de tablets.

Exportações

Também as exportações recuaram. O volume de vendas no semestre foi 5% inferior ao registrado no ano anterior (US$ 3,299 bilhões contra US$ 3,457 bilhões, em dólares FOB). Os segmentos que mais registraram perdas na exportações foram os de informática (-34%), telecom (-34%) e utilidades domésticas (-21%).

O recuo das vendas se deu sobretudo no mercado latino-americano, com destaque para a Argentina, país para o qual o setor eletroeletrônico brasileiro vendeu menos 24% do que no primeiro semestre anterior. Esta queda foi em parte anulada pelo aumento das vendas para países asiáticos.

A expectativa da Abinee, em relação às exportações, é de que seu volume seja ligeiramente inferior ao registrado em 2013, ano em que as exportações responderam por 10,1% do faturamento do setor. De acordo com os números divulgados pela entidade, o peso das exportações no faturamento setorial vem recuando desde 2008, quando representou 14,7%.

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