Indústria de telecom defende agilidade e critica viés arrecadatório no leilão do 5G


Evento promovido pela Anatel reuniu representantes da indústria para discutir o 5G

A indústria de telecomunicações voltou a defender agilidade do governo para lançar o leilão de frequências que serão usadas em redes móveis de quinta geração. E a cobrar que a licitação não tenha viés arrecadatório. Também pediu que a adoção de solução para superar a interferência da nova tecnologia na TVRO seja gradual hoje, 4, em workshop sobre o tema realizado pela Anatel em Brasília (DF).

Estavam presentes representantes de quatro gigantes do setor: Ericsson, Nokia, Huawei e Qualcomm. As empresas deixaram claro que a telefonia será apenas um dos negócios da 5G, existindo oportunidades em verticais do agronegócio, indústria, saúde, e o redes privadas.

O evento foi promovido pela agência a uma semana da reunião do Conselho Diretor que vai avaliar a proposta do edital do leilão da 5G. Os representantes das empresas falaram sobre os aspectos técnicos para a digitalização no país, o espectro mínimo necessário em 3,5 GHz para a oferta a contento das funcionalidades do 5G, experiências internacionais e deram sugestões para a implantação das redes de 5G no Brasil.

Brasil atrás

“A gente não tem que esperar outros países”, afirmou Carlos Lauria, da gigante chinesa Huawei. “Há um ano já foi lançado o 5G em várias partes, enquanto no Brasil estamos patinando”, observou. Disse também que não terá sentido o Brasil fazer um leilão que destine os recursos para o Tesouro, e não para investimentos no setor. 

Para Tiago Machado, da Ericsson, a alternativa melhor e definitiva é migrar a Banda C, na faixa de 3,5 GHz para a faixa de 3,8 GHz, outra alternativa defendida pelas operadoras. Disse que essa alternativa vai permitir mais espectro para ampliar a oferta do serviço aos usuários.

Empresas flix

Wilson Cardoso, da Nokia, avaliou que o negócio menos rentável no 5G será a telefonia móvel. Na opinião dele, o mercado de telecomunicações no mundo hoje é de U$ 1 trilhão. E o 5G vai trazer uma receita adicional de US$ 2 trilhões.

“No Brasil vamos ter U$ 225 bilhões, de 2020 a 2025, de impacto no PIB”, projetou. “Isso irá acontecer com os negócios verticais nas fazendas, nos hospitais e nas indústrias, e nós temos que ver quem são os melhores players para fazer isso. Se são provedores regionais ou se são as grandes operadoras. Se ninguém fizer, uma fazenda flix, uma indústria flix vai acabar fazendo”, brincou.

Na avaliação de Francisco Carlos Soares, da Qualcomm, depois do leilão do 5G, a Anatel deverá se dedicar à regulamentação do uso da nova tecnologia no mercado privado. Isso diz respeito a empresas que querem ter sua própria faixa para aplicar em seus negócios, seja fazenda, indústria ou outro segmento.

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