Indústria de software quer mais incentivo fiscal para o mercado interno


A Política de Desenvolvimento Produtivo, anunciada hoje no Rio de Janeiro pelopresidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebida com ressalvas pelas entidades que representam as empresas de software no país. A política inclui uma série de medidas que beneficiam o setor, principalmente com investimentos em inovação e estímulo para as exportações. A principal delas …

A Política de Desenvolvimento Produtivo, anunciada hoje no Rio de Janeiro pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebida com ressalvas pelas entidades que representam as empresas de software no país. A política inclui uma série de medidas que beneficiam o setor, principalmente com investimentos em inovação e estímulo para as exportações. A principal delas prevê a redução pela metade da contribuição patronal para o INSS sobre a folha de pagamento dos trabalhadores de empresas de Tecnologia de Informação, no desenvolvimento de softwares para exportação

Para Ricardo Kurtz, presidente da Assespro (Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet), o foco excessivo nas exportações diminui o impacto das medidas. “Está se repetindo o mesmo que se tentou na MP do Bem, mas não adianta insistir no modelo de exportação, queremos medidas que aumentem a formação de capital humano, para termos profissionais que desenvolvam softwares, algo que falta no mercado interno”, destacou o executivo. Para ele, o foco na exportação beneficia poucas empresas, e é necessário “estender os benefícios ao setor todo”, caso contrário, “vamos repetir o que se tentou com a MP do Bem, em que foi ridículo o aumento de exportação”.

Já o presidente da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), Jose Curcelli, avaliou como positivo o anúncio  das medidas. “De maneira geral o setor está contente e confiante, vejo a medida com otimismo, mas gostaria de ver na prática”, destacou. Ele lembra que um pacote semelhante foi proposto ainda quando o ministro da fazenda era Pedro Malan, “no qual constava que o software era um dos pilares para mostrar o Brasil no exterior, mas não aconteceu nada depois.” No entanto, Curcelli concorda com Kurtz sobre a importância do mercado interno, “que também precisa ser incentivado”, e faz coro à necessidade de desonerar a mão de obra, “que corresponde a 70% do custo mensal de uma empresa de desenvolvimento de software”. Ele acredita, no entanto, que as medidas atuais “podem funcionar como um incentivo para que empresas nacionais se encaminhem para a exportação”, pois, segundo ele, “o Brasil não é só exportação de fruta e carne”.

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