Indústria de fios e cabos em ritmo de recuperação


10/02/2006 –  Um segmento cujos negócios giraram na casa dos US$ 200 milhões, no ano passado, a indústria de fios e cabos, pouco a pouco, vai se recuperando do baque que experimentou nos primeiros anos da década, quando a produção local de fibra óptica despencou de 2 milhões de quilômetros por ano, para 150 mil …

10/02/2006 –  Um segmento cujos negócios giraram na casa dos US$ 200 milhões, no ano passado, a indústria de fios e cabos, pouco a pouco, vai se recuperando do baque que experimentou nos primeiros anos da década, quando a produção local de fibra óptica despencou de 2 milhões de quilômetros por ano, para 150 mil km/anuais. Mas, em 2005, a fabricação de fibra alcançou algo entre 220 mil a 250 mil km e, neste ano, pode chegar a 300 mil km. A indústria simplesmente se desestruturou, avaliam empresários do setor. Na área de metálicos, nos idos de 2000-2001, a demanda chegou ao ápice de 10 milhões de quilômetros/par/ano, em meio à corrida pela antecipação das metas de universalização, o que levou as operadoras a importar enormes volumes de cabos e produziu grandes estoques do produto. Resultado: em 2002-2003, a demanda deu sinais de melhora, totalizando 1,5 milhão de km/par e, em 2006, estima-se que poderá chegar aos 2 milhões – 2,5 milhões de km/par.
Em 2005, houve retomada em alguns segmentos do mercado de cabos, diz Foad Shaikhzadeh, presidente da Furukawa, informando que a empresa cresceu 14% em relação ao ano anterior, para R$ 275 milhões. O último exercício também foi positivo para a subsidiária brasileira da Andrew (expansão de 25%), informa Sylvio Peres, vice-presidente de vendas para a América Latina. Detalhe: em 2004, a empresa já tinha crescido 105% sobre o ano anterior.
No ano passado, a recuperação do segmento de cabos metálicos, que tinha começado em 2004 com o fim dos estoques das operadoras, continuou; e foi também quando teve início a recuperação dos cabos ópticos, também estocados pelas operadoras.

Projetos de governos

Foi importante para o reaquecimento do mercado de cabos ópticos a aceleração dos projetos de estatais e dos governos. O caso do Paraná é bastante ilustrativo nesse sentido: a Copel Telecom foi o maior comprador de cabos ópticos em 2005 porque, junto com a Celepar, é o agente principal da implementação dos projetos de saúde e educação do governo paranaense. Além disso, como carrier de carrier, a Copel também atende às operadoras privadas. A Embratel também fez aquisições significativas, e as demais operadoras, do mesmo modo, foram às compras.
Entretanto, os negócios com cabos ópticos não vão além de 20% a 25% da oferta da indústria, e só por volta de 2008-2010 passará a representar 50%. Este lento avanço se deve à demora em levar a fibra para a casa do usuário (FTTH – fiber to the home) no país. Porque, do ponto de vista das operadoras, suas contas não fecham: seja pela baixa renda do brasileiro, por problemas regulatórios, pelo risco de investir no Brasil, pelas incertezas quanto ao retorno do investimento. Aqui, diferentemente do que fazem empresas em outras partes do mundo, as operadoras não recorrem à tecnologia para se proteger.
Quanto às perspectivas dos cabos metálicos, a pergunta dos fabricantes é se os volumes dos dois últimos anos vão se manter em 2006. Tudo dependerá, entre outros fatores, da implementação de projetos como o telefone social. Se há um segmento estável no setor de cabos, é o de eletrônicos, usados nas redes internas dos clientes – corporativos, sobretudo, mas, aos poucos, também residenciais. Esta é uma demanda estável, acompanha o crescimento do país, o consumo é pulverizado, conta Foad Shaikhzadeh.
Um bom termômetro do mercado de cabos ópticos é a produção da SPF, joint venture entre Furukawa e Pirelli, cuja capacidade instalada, na primeira fase, de 300 mil km, está perto de ser atingida e que, com pequenos investimentos, pode dobrar o volume produzido. Isso deve acontecer ainda neste primeiro semestre, segundo Shaikhzadeh.

Obstáculos às exportações

A Furukawa, como a Andrew, exportam parte da produção, em especial para a América Latina. No caso da Furukawa, as vendas externas representam de 17% a 18% do faturamento, e os principais produtos são, em ordem decrescente, cabos eletrônicos, metálicos e ópticos. Nos próximos três anos, a expectativa da empresa é que as exportações representem 25% do faturamento. Na Andrew, os negócios de fios e cabos respondem por metade do faturamento, sendo que, dessa fatia, 90% são cabos de radiofreqüência, 10% cabos para TV, guias de onda, etc. Quanto às exportações, representam 35% a 45% do faturamento, segundo Peres. O executivo, como tantos de empresas exportadoras, está muito preocupado com a competitividade brasileira no mercado internacional. Mesmo que o PPB ainda salve as multinacionais aqui instaladas, argumenta, o câmbio, associado aos diversos ingredientes do custo Brasil, prejudicam a competitividade das exportações em relação a plantas instaladas em outras regiões como o Leste Europeu, ou em países como México e China. Quando a Andrew traz uma antena da China para o Brasil, mesmo pagando imposto de importação de 16,5%, e frete, o produto sai mais barato do que o fabricado em Sorocaba.
Uma das áreas que a Andrew vê com otimismo é a de cabos para operadoras de TV, que tende a crescer em função da convergência. A de cabos para telefonia celular cresceu bem em 2005, sobretudo no final do ano, com a entrada da Claro em Minas Gerais. De resto, a perspectiva de surgimento de novas redes, neste momento, para Sylvio Peres, é uma incógnita.

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