Indústria adere à proposta das operadoras para resolver impasse do leilão 5G


Cisco, Ericsson, Huawei, Nokia e Qualcomm subscrevem novo documento distribuído pelo Telebrasil e que sugere convivência da 5G com TVRO, além da liberação do espectro entre 3,6 GHz e 3,8 GHz. Para radiodifusores, proposta é insuficiente.

A proposta das operadoras Algar, Claro, Oi, Telefônica e TIM para resolver a interferência da 5G em 3,5 GHz na recepção de canais de TV aberta satelital (TVRO) ganhou a adesão clara de pesos pesados da indústria de fornecedores de equipamentos. Em nota encaminhada à imprensa nesta quarta-feira, 11, Cisco, Ericsson, Huawei, Nokia e Qualcomm subscrevem documento com a sugestão. E também a operadora regional Sercomtel, que ainda não tinha se manifestado.

A divulgação se dá na véspera de aguardada reunião do conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações na qual o conselheiro Emmanoel Campelo deverá apresentar proposta alternativa para o edital do certame de espectro destinado à 5G. Atualmente, a proposta de licitação conhecida é do relator Vicente Aquino, que sugere a reserva de 50 MHz espectro para provedores regionais ou entrantes, deixando 250 MHz na faixa de 3,5 GHz a serem disputados pelas grandes operadoras móveis.

A indústria estava, até esta semana, dividida sobre qual o melhor caminho para resolver a interferência da 5G sobre TVRO. Havia quem advogasse pela migração completa dos canais transmitidos por satélite para a banda Ku. A ideia, em linha com o que querem os radiodifusores, custaria alto: de R$ 2,9 bilhões, pelos cálculos da Abratel, entidade que representa os canais de TV, a R$ 7,75 bilhões, conforme as operadoras. Mas, dizem, resolveria o problema e liberaria não apenas os 3,5 GHz para a telefonia móvel, como deixaria também o espectro em banda C até 3,7 GHz disponível de imediato.

E o que a indústria é unânime em defender é a necessidade de vastas quantidades de frequências para a 5G. Quanto mais espectro livre e contínuo, melhor será a prestação do serviço, a entrega de altas velocidades, a capacidade de introduzir novos modelos de negócio.

Então, no último dia 2 de dezembro, as operadoras protocolaram na Anatel e entregaram ao conselheiro Campelo uma proposta alternativa. Nela, além de rechaçar a migração para a banda Ku, que, argumentam, teria forte impacto nos custos do leilão, vislumbram a migração da TVRO hoje na banda C de 3,6 GHz para além dos 3,8 GHz, com uma banda de guarda virtual de 100 MHz nos 3,7 GHz.

Ou seja, a solução prevê não apenas mitigação por filtros da interferência existente pela proximidade das faixas usadas pela telefonia, como ainda distancia mais os espectros, liberando 200 MHz. As operadoras sugerem que ao menos 100 MHz (3,6 GHz a 3,7 MHz) entre já no próximo leilão. Para a indústria, a proposta permite que no futuro uma parte da banda de guarda acima de 3,7 GHz seja destinada a serviços privados ou soluções indoor, por exemplo.

A Anatel, se não vai colocar a faixa acima de 3,6 GHz neste edital, ao menos já se dispôs a estudar a destinação para o IMT. Essa foi uma das resoluções que trouxe da Conferência Mundial de Radiocomunicação (WRC-19), realizada em outubro e novembro deste ano, no Egito.

Para os radiodifusores, a posição das teles pouco mudou. Para além dos cálculos quantos aos custos, consideram que tecnicamente pode ter até piorado. Os canais de TVRO continuarão sujeitos à interferência, espremidos em faixa cada vez mais apertada, em vez de serem migrados para uma banda mas alta. “Licitar dessa forma, para daqui a dois, quatro anos, ter de fazer novo leilão com a faixa de 3,8 GHz e fazer nova migração, não faz sentido”, diz Wender Souza, da Abratel.

Ainda assim, caberá ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), bater o martelo sobre qual política pública adotar (distribuir filtros e novos LNBFs para banda C, como pedem as teles, ou kits de banda Ku).

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