Volume de ciberataques cresce e desafia resposta das empresas no Brasil

Pesquisa CISO Brasil 2025 mostra alto volume e sofisticação dos ataques, baixa adoção de EDR, XDR e SIEM e falhas na resposta a incidentes

Ciberataque Brasil Kaspersky

A Pesquisa CISO Brasil 2025, comissionada pela Kaspersky, mostra que o ambiente de ameaças está mais pressionado para as empresas no país, ao mesmo tempo em que persistem lacunas operacionais e tecnológicas na proteção dos sistemas.

O estudo ouviu profissionais de cibersegurança e tomadores de decisão ligados à segurança de rede e de informação, como CIOs, CISOs, CTOs, analistas de SOC e especialistas de TI com atribuições em segurança. Todos atuam em organizações com equipes dedicadas de TI. Entre os entrevistados no Brasil, 88% afirmaram ter observado aumento significativo no número de ciberataques nos últimos dois anos, e 84% disseram que essas ameaças se tornaram mais sofisticadas no mesmo período.

Apesar do aumento dos ataques, a percepção de confiança ainda é elevada. Segundo o relatório, todos os profissionais brasileiros afirmaram confiar muito na capacidade atual de identificar ameaças cibernéticas de maneira efetiva e consideram excelente o histórico de resposta rápida a incidentes. Além disso, 80% avaliam que os dados e sistemas de suas organizações estão hoje muito bem ou extremamente bem protegidos, e 98% dizem que a prevenção de ciberincidentes é prioridade básica.

Baixa adoção de EDR, XDR e SIEM

Quando o levantamento passa da percepção para as ferramentas efetivamente em uso, o quadro muda. Menos da metade das organizações brasileiras usa tecnologias mais avançadas. O SIEM aparece em 42% das respostas, o XDR em 34% e o EDR em 32%. O estudo também registra que 30% afirmam não usar antivírus ou antimalware, 37% não utilizam inteligência de ameaças e 44% não têm firewall.

Nas empresas com mais de mil funcionários, a presença dessas tecnologias é maior. Nesse grupo, 52% usam SIEM, 40% adotam EDR e 34% contam com XDR. O recorte indica diferença de maturidade entre organizações maiores e menores.

Pesquisa Kaspersky 1

A análise mostra ainda que parte relevante das empresas pretende ampliar esse conjunto de ferramentas. Entre as que ainda não adotaram essas soluções, 26% planejam implementar XDR, 30% SIEM e 32% EDR. Outros 30% pretendem começar a usar inteligência de ameaças.

Nuvem e IA lideram preocupações

As ameaças que mais preocupam os entrevistados no Brasil são violações de segurança em nuvem e ataques baseados em IA, ambos citados por 62%. Em seguida aparecem phishing e engenharia social, com 32%. O levantamento também lista ransomware, cadeia de suprimentos, ameaças internas e APTs entre os riscos observados pelas empresas. Apenas 2% disseram não ter preocupação com segurança cibernética.

Pesquisa Kaspersky 3

No horizonte de investimento para os próximos 12 a 18 meses, 66% das organizações pretendem aplicar recursos em ferramentas para melhorar a detecção de ameaças. Outros 64% planejam investir em treinamento específico para profissionais de cibersegurança, e 42% em capacitação de funcionários de áreas fora da TI.

Pesquisa Kaspersky 2

Avaliação de risco irregular e resposta lenta

A pesquisa também mostra fragilidade de processo. Quase metade das empresas, 48%, não possui cronograma regular de avaliações de risco. Em vez disso, reage a ataques ou a eventos externos que funcionam como gatilho para revisar a postura de segurança.

Pesquisa Kaspersky 4

Na etapa de resposta a incidentes, a análise de causa raiz foi apontada por 54% como a fase mais demorada. Em seguida aparecem a identificação de ameaças em tempo real, com 36%, a coordenação da resposta entre equipes, com 26%, a contenção e mitigação, com 22%, e a investigação de alertas de segurança, com 20%, conforme os dados consolidados no relatório.

O estudo também mostra que 86% dos entrevistados consideram que ainda há trabalho a fazer para garantir a segurança de sistemas e dados nos próximos dois anos, e 44% dizem que esse esforço será grande. Em sentido oposto, apenas 14% afirmam que o esquema atual de proteção digital está preparado para o futuro.

Outro dado do relatório trata das restrições de investimento. Entre os obstáculos financeiros para adoção de soluções avançadas, 82% apontam o custo inicial como principal barreira, e 65% citam as despesas contínuas com licenciamento e manutenção.

Metodologia

A englobou 300 entrevistas realizadas com profissionais de cibersegurança e importantes tomadores de decisões da área de segurança de rede e de  informações (CIOs, CISOs, CTOs, profissionais de InfoSec que lidam com segurança de rede e de informações e/ou avaliações de segurança, analistas de SOC, especialistas em TI que lidam pelo menos parcialmente com tarefas de InfoSec). Todos trabalham em organizações de diversos setores com equipes de TI dedicadas. O recorte do Brasil envolveu 50 entrevistas, realizadas entre 25 e 31 de março de 2025. O conteúdo completo pode ser acessado aqui.

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Adriano Camargo

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