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A discussão sobre a TV digital que se trava hoje,
com suas inúmeras facetas e vertentes, resgata o tema da política
industrial voltada para a microeletrônica. Desde o estabelecimento da
reserva de mercado para a informática (nos idos dos anos 80), nunca se
conseguiu criar no país uma política de estímulo efetivo à
microeletrônica e ao desenvolvimento de software nacional.
A absoluta dependência da indústria nacional de informática e telecomunicações aos componentes importados de microeletrônica – semicondutores (os chips), circuitos integrados, capacitores, diodos, placas- provoca uma sangria de décadas na balança comercial brasileira.
O documento da Abinee – Associação Brasileira da Indústria Eletro Eletrônica – recentemente publicado, e que traz o desempenho setorial dos últimos sete anos, confirma a necessidade de se traçar uma política para incentivar a instalação de uma fábrica de chip em território brasileiro.
Conforme os dados da entidade, a balança comercial do setor fechou o ano de 2005 com um déficit de US$ 7,364 bilhões, praticamente o mesmo de 2004 ( déficit de US$ 7,323 bilhões), embora as exportações tenham aumentado 45% no mesmo período (passaram de US$ 5,34 bilhões em 2004 para US$ 7,767 bilhões no ano passado).
Ao abrirmos esses números, estão lá presentes, de maneira gritante, os gastos com a importação de chips. A aquisição de semicondutores lidera a lista dos produtos adquiridos por esta indústria no mercado externo. No ano passado, foram consumidos US$ 2,9 bilhões em divisas com a compra de chips, ou 39% do déficit.
Se analisarmos a série histórica, os números falam por si só. O setor eletroeletrônico gerou um déficit, nos últimos cinco anos, de US$ 34,6 bilhões, dos quais US$ 10,16 bilhões representam as importações de chips. Ao incluirmos as importações de outros componentes de informática e telecomunicações, iremos somar outros US$ 10,97 bilhões ao déficit registrado. Ou seja, a indústria digital foi a responsável, nos últimos cinco anos, por mais de 60% do déficit do setor eletroeletrônico.
Com o avanço das novas tecnologias weireless no segmento de telecomunicações, e com a inqüestionável necessidade de promoção da inclusão digital, que trará como conseqüência o aquecimento da demanda por equipamentos de informática, se não se fizer nada, este desbalanceamento continuará a sua trajetória de risco.
Ao decidir sobre o padrão de TV digital, o governo acerta ao fazer um trade off pela política industrial. Vamos ver se também acerta na definição do modelo de negócios para este novo veículo de comunicação que irá surgir.
O Brasil precisa de uma fábrica de chip
- Detalhes
- Quarta, 12 Abril 2006 21:00
- Escrito por Miriam Aquino
A discussão sobre a TV digital que se trava hoje,
com suas inúmeras facetas e vertentes, resgata o tema da política
industrial voltada para a microeletrônica. Desde o estabelecimento da
reserva de mercado para a informática (nos idos dos anos 80), nunca se
conseguiu criar no país uma política de estímulo efetivo à
microeletrônica e ao desenvolvimento de software nacional. A absoluta dependência da indústria nacional de informática e telecomunicações aos componentes importados de microeletrônica – semicondutores (os chips), circuitos integrados, capacitores, diodos, placas- provoca uma sangria de décadas na balança comercial brasileira.
O documento da Abinee – Associação Brasileira da Indústria Eletro Eletrônica – recentemente publicado, e que traz o desempenho setorial dos últimos sete anos, confirma a necessidade de se traçar uma política para incentivar a instalação de uma fábrica de chip em território brasileiro.
Conforme os dados da entidade, a balança comercial do setor fechou o ano de 2005 com um déficit de US$ 7,364 bilhões, praticamente o mesmo de 2004 ( déficit de US$ 7,323 bilhões), embora as exportações tenham aumentado 45% no mesmo período (passaram de US$ 5,34 bilhões em 2004 para US$ 7,767 bilhões no ano passado).
Ao abrirmos esses números, estão lá presentes, de maneira gritante, os gastos com a importação de chips. A aquisição de semicondutores lidera a lista dos produtos adquiridos por esta indústria no mercado externo. No ano passado, foram consumidos US$ 2,9 bilhões em divisas com a compra de chips, ou 39% do déficit.
Se analisarmos a série histórica, os números falam por si só. O setor eletroeletrônico gerou um déficit, nos últimos cinco anos, de US$ 34,6 bilhões, dos quais US$ 10,16 bilhões representam as importações de chips. Ao incluirmos as importações de outros componentes de informática e telecomunicações, iremos somar outros US$ 10,97 bilhões ao déficit registrado. Ou seja, a indústria digital foi a responsável, nos últimos cinco anos, por mais de 60% do déficit do setor eletroeletrônico.
Com o avanço das novas tecnologias weireless no segmento de telecomunicações, e com a inqüestionável necessidade de promoção da inclusão digital, que trará como conseqüência o aquecimento da demanda por equipamentos de informática, se não se fizer nada, este desbalanceamento continuará a sua trajetória de risco.
Ao decidir sobre o padrão de TV digital, o governo acerta ao fazer um trade off pela política industrial. Vamos ver se também acerta na definição do modelo de negócios para este novo veículo de comunicação que irá surgir.
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