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Conversão pulso x minuto: ainda não “caiu a ficha.”

A mudança será grande e a decisão difícil. A escolha do melhor plano tarifário de ligação local vai depender do perfil de consumo de cada um.


A proximidade da conversão das ligações locais de pulso para minuto tem gerado inúmeros alertas e spans pela internet, que muitas vezes trazem mais desinformação do que ajudam o usuário a tomar a melhor decisão na hora de escolher o seu plano de tarifa.

Muitos têm insistido que o usuário vai pagar mais caro com essa conversão porque, argumentam eles, se  um pulso vale quatro minutos e hoje pagamos, em média, R$ 0,12 centavos por pulso, a conclusão aparentemente óbvia é que o minuto atual valeria R$ 0,03 centavos. E, na nova metodologia, o minuto vai custar, em média, R$ 0,10 centavos. Ou seja, o usuário pagaria três vezes mais para falar os mesmos quatro minutos. Se fosse assim, certamente  seria um absurdo.

Mas a conta é bem mais complicada. Para começar, a tarifa média do pulso é alguns centavos mais alta do que dizem os spans. Ela gira em torno de R$ 0,14. O mais importante, porém, e muitos de nós não sabemos, (embora paguemos as nossas contas de telefone ano após ano), é que, pelo sistema atual, paga-se um pulso cheio no momento em que a pessoa com quem se quer falar atende o telefone. Quem se lembra dos orelhões com ficha pode entender melhor: na hora em que a ligação era completada, caía a ficha. É assim também no sistema atual da telefonia fixa. Ou seja, uma ligação de um pulso não vale quatro minutos, pois na hora que a pessoa do outro lado atendeu o telefone,  você já pagou R$ 0,14.


O pulso

O “pulso” começa a  pulsar nas redes de telecomunicações  a cada quatro minutos a partir das seis horas da manhã. O problema é que você não faz uma ligação na hora exata em que começa um pulso novo , assim, em uma ligação de quatro minutos, você pode ter a sorte de “só” pagar dois pulsos ou o azar de pagar três pulsos. Em quatro minutos de conversa, pelo jeito atual, você pode pagar R$ 0,28 centavos ou R$ 0,42 centavos.

Na média, se poderia imaginar, então, que um pulso seria igual a dois minutos. Mas a Anatel, que mediu mais de um bilhão de chamadas nas mais distintas regiões do país, cravou que um pulso era igual a 1,6 minutos. E foi com base nesse estudo que se chegou ao valor de R$ 0,10 por minuto. As tarifas são, por sinal, bem menores, mas esse valor já contempla os  impostos de mais de 40%.

A condição para se implementar uma mudança dessa proporção (mais de 40 milhões de clientes serão afetados) é que ela deve ser neutra tanto para as empresas como para os usuários. Ninguém deveria ganhar ou perder nada com essa troca. Na média, esse deverá ser o resultado. O problema é que a média não serve para medir nada quando a base é tão heterogênea como as ligações telefônicas que fazemos constantemente. Uma hora, falamos por muito tempo. Outra hora, só dizemos alô e, pronto.


As complicações

E é aí que a situação pode se complicar, pois, como atualmente não conseguimos registrar os pulsos que correram em nosso telefone ao longo do mês,  não sabemos, de verdade, o quanto falamos. Se ligamos para dar um recado, falamos pouco. Se estivermos amando, podemos ficar horas em nossos devaneios telefônicos.

No geral, o brasileiro fala por pouco tempo. Conforme a Anatel, mais de 85% das chamadas têm duração menor do que quatro minutos. Segundo a Abrafix, entidade que representa as concessionárias, 56% das ligações locais são de apenas um minuto.

Mas existem também aqueles que usam o telefone por muito tempo todos os dias. Nesse grupo estão presentes as famílias de classe média que acessam a internet pela linha de telefone de suas casas. Nesses casos, o perfil de consumo muda radicalmente. Conforme a Abrafix, a ligação de um internauta de linha discada dura, em média, 20 minutos.

E aí estava o problema quando da criação do plano tarifário de conversão pulso/minuto. Nesse novo plano, não  existe mais a cobrança pela chamada completada (aqueles quatro minutos cobrados sem serem usados). O minuto falado é o minuto cobrado.
Com esse plano,  o internauta de linha discada iria levar um baita susto quando recebesse a primeira conta, pois ela ficaria muito mais cara, já que essa cobrança inicial ameniza os valores dos minutos subseqüentes. Só para se ter uma idéia, em uma ligação de 10 minutos, que hoje não custa mais de R$ 0,64, com a nova metodologia, ela passará para R$ 1,00.

Para não prejudicar esses usuários é que o governo federal mandou adiar por um ano a implementação dessa nova metodologia, que deveria ter começado no ano passado. Nesse período, a Anatel tratou de criar um outro plano de tarifa .

Esse outro plano, batizado pelo esquisito nome de Pasoo, manteve tudo como era antes. Ou seja, na hora que a ligação for completada, quem ligou, vai pagar, de cara, quatro minutos. Para compensar essa cobrança inicial, o valor do minuto é quase três vezes menor do que o do outro plano. Mas no final, todos pagam igual, já que os créditos das “fichas” são consumidos, nesse plano, mais rapidamente.  

A partir de março as concessionárias de telecomunicações começam, paulatinamente, a oferecer os dois planos de tarifa em minutos: o básico e o Pasoo até que a migração esteja completa no início de agosto. 

Internauta

O internauta de linha discada não deve ter  dúvidas:  quando chegar a mudança de tarifação em sua cidade, deve pedir, imediatamente, para ser enquadrado no Pasoo. Assim, não verá diferença em sua conta de telefone.
O usuário que acessa a internet por banda larga e  tem a certeza que faz ligações de curta duração,  não precisará se mexer, pois a conta de telefone será automaticamente transferida para o novo plano básico de minutos. E, aí, esse usuário poderá até ter a grata surpresa de receber uma conta mais barata.

Mas o usuário que, como eu, não sabe o perfil de consumo de sua casa, o melhor é pedir para a concessionária, já no primeiro mês, o envio da conta detalhada para se certificar por quanto tempo os  filhos ficam pendurados ao telefone.

Enquanto estiver analisando a montanha de informações que virá, e para não levar qualquer susto, talvez seja melhor migrar para o Pasoo, pois é o plano que mantém o status quo atual. E, depois que checar as centenas de ligações que foram feitas  e, se constatar que, de fato, em sua casa, todos falam por pouco tempo, então, peça para migrar para o plano básico e poderá até economizar.    

Essa dica final é fruto da mais pura impressão. Só terei certeza de que essa é a decisão mais acertada depois de receber a conta telefônica por alguns meses. Mas tenho a sensação que, até “cair a ficha”, muitos de nós teremos muitas dores de cabeça antes de acertar.

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